Estudo internacional aponta alta eficácia e baixos riscos em segunda aplicação de radioterapia para o tratamento da doença.

Uma revisão científica internacional revelou que 89,9% dos pacientes que receberam radioterapia pela segunda vez não apresentaram o retorno do câncer de próstata na região tratada após dois anos. O avanço representa uma nova esperança para o controle local da doença no Brasil e no mundo.

A pesquisa foi apresentada na reunião anual da Sociedade Americana de Radioterapia (ASTRO), em Boston, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica The Prostate, conforme informação divulgada por SAÚDE. O estudo avaliou a eficácia e a segurança de intervenções em casos de recorrência tumoral.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registre cerca de 77.920 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, evidenciando a importância de novas alternativas terapêuticas durante o Novembro Azul e em todo o ano.

Como funciona a segunda radioterapia

O estudo SPARE analisou 384 pacientes e utilizou a radioterapia estereotáxica corporal (SBRT), técnica que administra doses elevadas de radiação com grande precisão. O objetivo é atingir o tumor preservando órgãos vizinhos como bexiga e reto.

Segundo Fábio Ynoe de Moraes, radio-oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), repetir a radiação era considerado de alto risco, mas novas tecnologias permitem reavaliar o procedimento em pacientes selecionados.

Efeitos colaterais e segurança

A pesquisa também investigou complicações graves associadas ao procedimento de resgate, constatando que a frequência desses efeitos foi baixa entre os participantes avaliados no levantamento internacional.

As complicações mais comuns foram problemas urinários tardios, registrados em apenas 3,3% dos pacientes meses ou anos após o tratamento, conforme destacaram os especialistas da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).

O papel do exame de PSA e da investigação

O aumento do PSA não indica automaticamente a necessidade de uma nova radiação, sendo fundamental investigar a exata localização da recorrência tumoral antes de definir qualquer conduta médica.

Conforme explica Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT, a equipe médica avalia o intervalo desde a primeira sessão, as doses anteriores, a saúde geral e os riscos para indicar a melhor alternativa para cada paciente.

Perguntas Frequentes

O que significa o controle local de 89,9% no câncer de próstata?

Significa que 89,9% dos pacientes avaliados não tiveram o retorno do tumor na mesma região tratada após dois anos da segunda radioterapia, conforme a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).

O que é a radioterapia estereotáxica ou SBRT?

É uma técnica avançada que aplica altas doses de radiação com extrema precisão em poucas sessões, destruindo o tumor e protegendo órgãos vizinhos como bexiga e reto.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns da segunda radioterapia?

A frequência de complicações graves é baixa, sendo os efeitos mais comuns os problemas urinários tardios, relatados por apenas 3,3% dos pacientes após o tratamento.

O aumento do PSA indica que o câncer voltou?

Não necessariamente. O aumento do PSA exige exames detalhados para confirmar se houve recorrência local ou sistêmica antes de iniciar um novo tratamento, segundo a SBRT.