Pesquisa da deeptech boo revela que o mesmo remédio genérico pode ter preços até 395% maiores, alertando consumidores para a importância da comparação.
Consumidores brasileiros podem estar pagando até 395% mais caro por um mesmo medicamento, dependendo da farmácia onde realizam a compra. É o que aponta um levantamento recente da boo, uma deeptech especializada na coleta e manipulação de dados complexos, que expôs uma disparidade de preços chocante no varejo farmacêutico.
Um exemplo notável revelado pela companhia foi o de um comprimido de cetoconazol genérico, um fármaco comum, que é vendido sob o mesmo registro e código de barras por R$ 12,13 em um Ponto de Venda (PDV) e alcança o valor de R$ 59,90 em outro. Essa diferença evidencia a necessidade de atenção do consumidor na hora de comprar.
A pesquisa da boo, publicada pela Exame, monitorou semanalmente 577.872 SKUs de produtos comercializados pelas 12 maiores redes de farmácia do Brasil, utilizando dados diretamente das plataformas de e-commerce das varejistas. O objetivo foi mapear o preço real que chega ao consumidor final.
Como a variação de preço dos medicamentos afeta o bolso?
A amplitude na precificação de um mesmo medicamento, como o caso do cetoconazol genérico com variação de 395%, tem um impacto direto e significativo no orçamento familiar. Essa diferença não se limita a produtos específicos, mas se estende por diversas categorias, penalizando o consumidor que não pesquisa.
Vinicius Cainelli, CTO da boo, explica que, embora o fabricante determine o preço de fábrica, "quem monta a gôndola, física ou digital é a farmácia". Ele complementa que a iniciativa da boo foi justamente para "mostrar, produto a produto, o que realmente chega ao consumidor", trazendo transparência ao processo de precificação.
Remédios de uso contínuo lideram disparidade de valores
A análise detalhada da boo identificou que as maiores diferenças de preço são encontradas especialmente entre os medicamentos de uso contínuo e de prescrição comum. Fármacos como norfloxacino, enalapril e ciclobenzaprina apresentaram variações superiores a 300% entre as redes de farmácia analisadas.
Essa disparidade é particularmente preocupante para pacientes que dependem desses medicamentos regularmente, tornando a pesquisa de preços uma etapa crucial para garantir o acesso a tratamentos essenciais sem comprometer excessivamente as finanças pessoais.
Outros produtos também apresentam diferenças expressivas
O fenômeno das grandes variações de preço não se restringe apenas aos medicamentos. A deeptech boo constatou um padrão semelhante ao analisar produtos das categorias de suplementos, cosméticos e higiene. Nesses segmentos, os valores podem variar em até 250% entre as diferentes varejistas do setor.
Para Vinicius Cainelli, essa falta de visibilidade impacta também os fabricantes. O executivo afirma que eles têm "pouca ou nenhuma visibilidade sobre como e por quanto seus produtos chegam ao consumidor final". Isso "dificulta tanto a defesa de margem quanto a identificação de rupturas de estoque em tempo real", acrescenta.
Perguntas Frequentes
Qual a maior variação de preço encontrada em medicamentos?
A pesquisa da deeptech boo identificou uma variação de 395% no preço de um mesmo medicamento, como o cetoconazol genérico, que foi encontrado com valores de R$ 12,13 a R$ 59,90.
Quais tipos de medicamentos têm maior variação de preço?
As maiores diferenças foram encontradas em medicamentos de uso contínuo e de prescrição comum, como norfloxacino, enalapril e ciclobenzaprina, com variações superiores a 300%.
Outras categorias de produtos também têm preços variados?
Sim, o fenômeno da variação de preços também afeta produtos das categorias de suplementos, cosméticos e higiene, com diferenças que podem chegar a 250% entre diferentes varejistas.
Quem define o preço final dos medicamentos nas farmácias?
Segundo Vinicius Cainelli, CTO da boo, embora o fabricante decida o preço de fábrica, a farmácia é quem "monta a gôndola", seja física ou digital, e, portanto, define o valor que chega ao consumidor final.
