Executivo da farmacêutica responsável pelos medicamentos GLP-1 para diabetes e obesidade alcançou US$ 36,7 milhões em remuneração total em 2025.

David Ricks, CEO da Eli Lilly, consolidou sua posição como o líder mais bem remunerado da indústria farmacêutica global em 2025. De acordo com o prestigiado ranking anual da publicação Fierce Pharma, Ricks alcançou uma remuneração total de US$ 36,7 milhões, um aumento significativo em relação aos US$ 29,2 milhões recebidos no ano anterior.

Essa ascensão de Ricks ao topo da lista não surpreende, dado o desempenho excepcional da Eli Lilly no mercado, especialmente com sua linha de medicamentos metabólicos. A empresa tem dominado os rankings de receita e alcançou um marco histórico ao se tornar a primeira farmacêutica a ultrapassar US$ 1 trilhão em valor de mercado em 2025.

O levantamento da Fierce Pharma analisou apenas CEOs de empresas farmacêuticas com operações comerciais robustas e valor de mercado igual ou superior a US$ 20 bilhões. O ano de 2025 foi marcado por intensas pressões sobre o setor nos Estados Unidos, com mudanças nas políticas de saúde e discussões sobre preços de medicamentos, cenário no qual a liderança desses executivos foi crucial.

Remuneração dos CEOs da indústria farmacêutica em cenário desafiador

O ranking dos CEOs mais bem pagos da indústria farmacêutica em 2025 reflete um período de grande dinamismo e desafios. Políticas governamentais nos Estados Unidos, incluindo discussões sobre tarifas e preços de medicamentos, forçaram as grandes farmacêuticas a repensar suas estratégias. Muitos executivos negociaram ativamente investimentos em manufatura e pesquisa e desenvolvimento no país, buscando, em contrapartida, benefícios regulatórios e redução de tarifas.

Nesse contexto de forte pressão, a remuneração dos principais líderes do setor reflete não apenas o sucesso financeiro das suas companhias, mas também a complexidade de navegar um ambiente regulatório e econômico instável. A capacidade de gerar valor para os acionistas e expandir o portfólio de produtos em um cenário tão competitivo foi um diferencial para os executivos que ocuparam as primeiras posições do ranking.

David Ricks e o boom dos medicamentos GLP-1

A Eli Lilly, sob a liderança de David Ricks desde 2017, tem sido uma força motriz na revolução dos medicamentos para diabetes e obesidade. A expansão dos fármacos à base de GLP-1, como a tirzepatida, foi um dos principais fatores para o crescimento expressivo da empresa. Desde o início de sua gestão, a Eli Lilly registrou um aumento de receita de aproximadamente 207%, um dado que a própria companhia utilizou para justificar o pacote de remuneração de Ricks.

O pacote de Ricks em 2025 incluiu um salário de US$ 1,7 milhão, com a maior parte vindo de remuneração em ações (US$ 23,3 milhões) e planos de incentivo (US$ 6,5 milhões). Houve também um acréscimo de quase US$ 3 milhões no valor de sua previdência, consolidando sua posição como o CEO mais bem pago do setor. A trajetória de crescimento da Lilly, impulsionada pelo mercado de obesidade, remodelou o cenário farmacêutico global.

Joaquin Duato e a reestruturação da Johnson & Johnson

Na segunda posição do ranking, com uma remuneração total de US$ 32,8 milhões em 2025, está Joaquin Duato, CEO da Johnson & Johnson. A J&J é conhecida por remunerar seus executivos de forma generosa e tem sido consistentemente uma das empresas com maior receita no setor biofarmacêutico. Duato, que assumiu o comando em 2022 após Alex Gorsky, enfrentou o desafio de expandir a companhia enquanto realizava o desinvestimento da unidade de saúde do consumidor, a Kenvue.

Apesar da complexidade, a receita da J&J saltou de US$ 80 bilhões no primeiro ano de Duato para uma previsão de mais de US$ 100 bilhões para o ano seguinte ao ranking. Em 2025, a empresa registrou um aumento de 6% nas vendas, incluindo uma alta de 9% no quarto trimestre. O conselho da J&J destacou que Duato superou as metas estratégicas e financeiras, resultando em bônus e incentivos de longo prazo acima do esperado.

Robert Michael lidera a AbbVie a receitas recordes

Em seu segundo ano como CEO da AbbVie, Robert Michael rapidamente se juntou ao grupo dos executivos mais bem pagos, com uma remuneração de US$ 32,5 milhões em 2025. Esse valor representa um salto significativo em relação aos US$ 18,4 milhões de 2024 e coroa um ano de receitas recordes para a empresa, que atingiu US$ 61,1 bilhões em vendas anuais totais.

As metas estratégicas e de liderança, que incluíam gerar valor para os acionistas, fortalecer a confiança dos investidores e avançar com ativos em desenvolvimento, foram "alcançadas ou superadas" por Michael, segundo a AbbVie. O sucesso foi impulsionado principalmente pelo rápido crescimento dos medicamentos imunológicos Skyrizi e Rinvoq, que foram cruciais para mitigar o impacto da perda de exclusividade do Humira em 2023, uma estratégia que se provou bem-sucedida.

Perguntas Frequentes

Quem são os CEOs mais bem pagos da indústria farmacêutica em 2025?

Os três CEOs mais bem pagos da indústria farmacêutica em 2025, segundo a Fierce Pharma, foram David Ricks da Eli Lilly (US$ 36,7 milhões), Joaquin Duato da Johnson & Johnson (US$ 32,8 milhões) e Robert Michael da AbbVie (US$ 32,5 milhões).

Quais fatores impulsionaram a remuneração de David Ricks, CEO da Eli Lilly?

A remuneração de David Ricks foi impulsionada principalmente pelo crescimento exponencial da Eli Lilly, especialmente pela expansão dos medicamentos GLP-1 para diabetes e obesidade, como os à base de tirzepatida. Sob sua liderança, a empresa registrou um aumento de 207% na receita desde 2017 e alcançou US$ 1 trilhão em valor de mercado.

Como a Johnson & Johnson justificou a remuneração de Joaquin Duato?

A Johnson & Johnson justificou a remuneração de Joaquin Duato destacando que a empresa superou suas metas estratégicas e financeiras para 2025, mesmo após o desinvestimento da unidade Kenvue. Isso resultou no pagamento de bônus equivalentes a 118% da meta e incentivos de longo prazo correspondentes a 145% da meta.

Quais critérios foram usados pela Fierce Pharma para elaborar o ranking?

A Fierce Pharma restringiu seu levantamento a CEOs de empresas farmacêuticas com operações comerciais ativas e um valor de mercado igual ou superior a US$ 20 bilhões. Isso garante um foco nas maiores e mais comercialmente relevantes companhias do setor.