O comprador de farmácias se transforma: de negociador individual para gestor estratégico. Essencial ter visão de dados, IA e colaboração para o novo varejo e consumidor híbrido.
O varejo vive uma transformação constante, e o setor farmacêutico não é exceção. Se antes a compra se resumia a uma negociação direta entre comprador e vendedor, hoje o cenário é complexo, com múltiplos canais e decisões orientadas por dados.
A ascensão da inteligência artificial (IA) agêntica nas operações e o comportamento do consumidor híbrido – que mescla o online e o físico – impulsionam essa mudança. O modelo mental tradicional do comprador de farmácias já não se encaixa nas demandas atuais.
Dessa forma, emerge o perfil do profissional "Tipo T". Ele deve combinar amplitude – uma visão de ponta a ponta – e profundidade, dominando sua especialidade, habilidades técnicas e relacionais.
A Metamorfose do Profissional de Compras em Farmácias
Não basta mais ao comprador ser excelente em reduzir o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) ou negociar margens. É preciso pensar de forma sistêmica, agindo como um maestro que conecta tendências, a estratégia da empresa, o consumidor e diversas áreas.
Esse novo comprador precisa ligar o supply chain, marketing, trade e finanças em uma atuação realmente integrada. Olegário Araújo, pesquisador do FGVcev – Varejo e Consumo, destaca essa visão de ponta a ponta como crucial para o setor.
Competências Essenciais para o Comprador do Futuro
Algumas competências comportamentais se tornam indispensáveis para essa transição. A agilidade de aprendizado, por exemplo, exige desaprender velhos hábitos e testar novas ferramentas rapidamente.
A colaboração real também ganha destaque, quebrando silos e construindo pontes entre as equipes. É fundamental criar metas compartilhadas e usar uma linguagem comum para os indicadores, identificando causas-raiz e agindo de forma eficaz.
Soma-se a isso o pensamento crítico, necessário para combinar dados e obter informações relevantes. Ele permite questionar os dados disponíveis, inclusive os gerados pela IA, em vez de simplesmente utilizá-los.
Por fim, a empatia e visualização permitem exercitar a perspectiva do outro. Isso inclui vivenciar a rotina de colegas de outras áreas para compreender melhor os desafios e oportunidades.
A Transformação Humana por Trás dos Dados
Por trás de toda essa transformação técnica, existe algo ainda mais profundo: a transformação humana. Sair da zona de conforto, do que já é dominado e automático, é um verdadeiro desafio de mudança de modelo mental.
Conforme lembrou Guimarães Rosa, "o correr da vida embrulha tudo… o que ela quer da gente é coragem". É preciso coragem para ir para a chamada "Zona de Coragem\
