Especialistas defendem que tabelas de honorários são essenciais e o verdadeiro desafio está na mensuração de valor.
O debate sobre a remuneração na saúde suplementar brasileira há anos aponta o modelo fee for service como o principal vilão do sistema. A crítica comum sustenta que pagar por procedimento estimula o volume excessivo em detrimento da qualidade do atendimento.
Contudo, analistas do setor alertam que abandonar as tabelas de preços representa um erro estratégico e histórico nas negociações médicas. A discussão ganhou novo fôlego no mercado nacional, conforme informação divulgada por Saude Business.
A mudança real exige colocar a referência econômica no lugar correto, integrando indicadores de desfechos clínicos sem desvalorizar o ato médico. O foco principal deve ser a construção de métricas confiáveis antes de alterar os contratos assistenciais.
Por que o fee for service é criticado
O modelo tradicional de pagamento por serviço responde diretamente aos incentivos econômicos criados pelo próprio mercado de saúde. Quando o sistema remunera apenas a quantidade, hospitais e médicos respondem produzindo mais volume assistencial.
Instrumentos como a CBHPM surgiram historicamente para garantir proteção e equilíbrio financeiro nas negociações da categoria médica. Eliminar essas referências pode fazer com que profissionais vejam as propostas como ameaças diretas aos seus honorários.
Modelos alternativos de remuneração em saúde
A transição para a Saúde Baseada em Valor não significa adotar um formato único, pois opções como DRG, pacotes e capitação também utilizam preços. Cada arquitetura contratual resolve problemas específicos, mas introduz novos riscos operacionais para operadoras e prestadores.
A capitação ajuda a evitar o uso desnecessário de recursos, mas pode estimular o subtratamento se houver falhas no ajuste de risco. Trocar o mecanismo de pagamento sem avaliar a entrega real de valor apenas substitui um incentivo inadequado por outro.
O gargalo dos dados e desfechos clínicos
Os sistemas de informação atuais foram estruturados prioritariamente para faturar e registrar a produção de procedimentos médicos. As instituições trocam dados financeiros diariamente, mas encontram grandes barreiras para mensurar desfechos clínicos e a experiência dos pacientes.
A implementação bem-sucedida de qualquer modelo baseado em valor exige capacidade técnica para ajustar riscos e devolver informações úteis aos profissionais. Sem essa governança de dados, os contratos sofisticados tornam-se ineficazes na tomada de decisão assistencial.
Perguntas Frequentes
A tabela de remuneração médica é a vilã da saúde?
Não, a tabela responde a uma referência econômica necessária e serve como mecanismo de proteção para a categoria médica no Brasil.
O que é a Saúde Baseada em Valor no setor?
É um modelo que busca recompensar a eficiência clínica, a segurança do paciente e os desfechos obtidos, e não apenas o volume de procedimentos.
Quais são os principais desafios dos novos modelos de pagamento?
A falta de dados estruturados sobre desfechos clínicos, a ausência de ajuste de risco e a dificuldade de mensurar a qualidade real do cuidado.
Por que o modelo fee for service ainda é utilizado?
Porque ele serve como base para remunerar atos médicos, desde que seja complementado com indicadores de qualidade e valor entregue.

