O exame imunoquímico fecal (FIT) passa a ser ofertado na rede pública para detecção precoce da doença em pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incluir, a partir desta semana, o teste imunoquímico fecal (FIT) em sua tabela de procedimentos. A medida, publicada em portaria no Diário Oficial da União, visa fortalecer o rastreamento do câncer colorretal, um dos tipos mais frequentes no Brasil.
Este novo exame será oferecido a homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos, para detecção precoce da doença. A expectativa é que a inclusão do FIT amplie o acesso à prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros.
O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais comum no país, excluindo os de pele não melanoma. Diante desse cenário, a nova ferramenta no SUS representa um avanço significativo na identificação de possíveis alterações, antes mesmo do surgimento de sintomas.
Como funciona o teste FIT no SUS?
O teste imunoquímico fecal (FIT) é um exame simples de fezes que busca por vestígios de sangue oculto no material, que são invisíveis a olho nu. A presença desse sangue pode indicar a existência de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou até mesmo câncer no intestino.
Uma das grandes vantagens do FIT é a sua precisão. Ele utiliza anticorpos específicos para identificar exclusivamente sangue humano, o que o diferencia de exames de sangue oculto nas fezes mais antigos.
Para realizar o procedimento, o paciente recebe um kit para coleta domiciliar. Após a coleta da amostra, o material é enviado para análise em laboratório. Se o resultado indicar a presença de sangue oculto, o indivíduo será encaminhado para exames complementares para uma investigação mais aprofundada.
Impacto da inclusão do exame de fezes na saúde pública
A portaria do Diário Oficial da União especifica que o teste FIT será usado exclusivamente para o rastreamento bienal do câncer colorretal. Isso significa que ele é destinado a pessoas que não apresentam sintomas da doença.
O Ministério da Saúde, que já havia anunciado a inclusão do teste em um novo protocolo para rastreamento em maio, destaca a alta eficácia do FIT. Dados da pasta indicam que o exame possui uma sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
A inclusão é crucial, visto que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta 53,8 mil novos casos de câncer colorretal anualmente para o triênio 2026-2028 no Brasil. A detecção precoce é fundamental para um tratamento mais eficaz e melhores prognósticos.
Benefícios do teste FIT para a população brasileira
O Ministério da Saúde elenca uma série de benefícios que tornam o teste FIT mais acessível e atraente para a população. Uma das principais é a praticidade: o exame não exige preparo intestinal e nem uma dieta restritiva antes da coleta.
Além disso, ele pode ser feito com apenas uma amostra de fezes, o que simplifica o processo para o paciente. Essas características contribuem para uma maior adesão da população ao rastreamento, fator essencial para a efetividade de programas de saúde pública.
FIT versus Colonoscopia: entenda a diferença
Apesar da eficácia e praticidade do FIT, o Ministério da Saúde ressalta que a colonoscopia continua sendo a principal forma de avaliação do intestino. A colonoscopia oferece a vantagem de permitir a visualização direta do cólon e do reto.
Mais do que isso, durante uma colonoscopia, é possível retirar pólipos que podem ser pré-cancerígenos, evitando que essas lesões evoluam para um câncer. Enquanto o FIT é um exame de rastreamento inicial, a colonoscopia é um procedimento diagnóstico e terapêutico mais completo, indicado para quem tem resultados positivos no FIT ou apresenta sintomas.
Perguntas Frequentes
Quem pode fazer o teste FIT no SUS?
O teste imunoquímico fecal (FIT) no SUS é destinado a homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos, para o rastreamento bienal do câncer colorretal. Não é indicado para quem já apresenta sintomas ou suspeita clínica da doença.
O que o teste FIT detecta?
O teste FIT detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que são invisíveis a olho nu. Essa presença de sangue pode ser um sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino, indicando a necessidade de exames complementares.
O teste FIT substitui a colonoscopia?
Não, o teste FIT não substitui a colonoscopia. Ele serve como um exame de rastreamento inicial. A colonoscopia permanece como o principal método para avaliar o intestino, permitindo a visualização direta e a remoção de pólipos, sendo indicada após um resultado positivo no FIT ou em casos de sintomas.
Quais as vantagens do teste FIT?
As principais vantagens do teste FIT incluem a não necessidade de preparo intestinal ou dieta restritiva, a coleta simples de apenas uma amostra em casa, e sua alta precisão na detecção de sangue humano, o que contribui para uma maior adesão da população ao rastreamento.
