Aprovações da Anvisa para genéricos e similares da EMS e Germed intensificam a competição e transformam o varejo farmacêutico.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo importante para o mercado farmacêutico brasileiro ao aprovar novos medicamentos à base de semaglutida, produzidos pelas fabricantes EMS e Germed. A decisão, publicada no Diário Oficial da União em 17 de agosto de 2026, marca uma nova fase de acessibilidade para as canetas emagrecedoras no país.
Essa abertura de mercado segue o vencimento da patente da Novo Nordisk em março de 2026, permitindo a entrada de versões genéricas e similares. Com mais opções disponíveis, o cenário de preços e vendas já apresenta mudanças significativas, beneficiando consumidores e o próprio setor.
Um relatório do BTG Pactual revela um impacto direto: o preço da semaglutida registrou uma queda de 50% em algumas redes, enquanto as vendas unitárias diárias dispararam 155%. Essa dinâmica transforma o acesso a um tratamento amplamente procurado, tornando-o mais competitivo.
Mercado de GLP-1: Expansão Acelerada no Brasil
O segmento de medicamentos agonistas de GLP-1, onde a semaglutida se insere, vivencia uma expansão sem precedentes no Brasil. Em 2025, o mercado alcançou aproximadamente R$ 10 bilhões, e projeções do BTG Pactual indicam que esse valor pode superar os R$ 17 bilhões em 2026. Esse crescimento é impulsionado pela chegada de alternativas mais econômicas e pela formalização da demanda antes não regulamentada.
As canetas emagrecedoras já representam uma fatia considerável das receitas das grandes redes farmacêuticas. No segundo trimestre de 2026, elas somavam cerca de 11% das receitas, um aumento notável em comparação aos 7% registrados no mesmo período de 2025. O total de receitas da categoria atingiu R$ 2 bilhões no trimestre, um crescimento de 67% sobre o ano anterior.
Dinâmica de Preços e Volume da Semaglutida
A Anvisa autorizou a EMS a comercializar quatro moléculas de semaglutida injetável como genéricos, enquanto a Germed obteve aprovação para quatro produtos da linha Semaclique, registrados como similares. Essas adições se somam a outras aprovações anteriores, incluindo o Ozivy da EMS em maio de 2026 e mais cinco produtos à base de semaglutida em julho do mesmo ano, configurando um ambiente de forte concorrência.
A Pague Menos, por exemplo, reportou em julho de 2026 uma redução de 50% no preço da semaglutida em relação à linha de base do primeiro trimestre do mesmo ano. Consequentemente, as vendas unitárias diárias da droga subiram expressivos 155%. Outro medicamento similar, a tirzepatida, também viu seu preço cair 23%, com um crescimento de 60% no volume de vendas, mostrando uma tendência mais ampla no setor.
Repercussão no Varejo Farmacêutico e Margens
A maior competição entre os fornecedores não só beneficia os consumidores com preços mais baixos, mas também sinaliza uma melhora nas margens brutas para o varejo. Inicialmente, as margens das canetas emagrecedoras estavam em torno de 18%, abaixo das categorias tradicionais de farmácias. No entanto, a expectativa do BTG Pactual é que elas convirjam para 25% até o final de 2026 e superem 30% no médio prazo.
Para o setor farmacêutico, essa transição é estratégica. As canetas emagrecedoras, antes vistas como produtos de alto valor que atraíam tráfego, estão se consolidando como uma categoria de crescente contribuição para a lucratividade. O relatório indica que os medicamentos GLP-1 foram responsáveis por 5 pontos percentuais dos 16% de crescimento de receita dos grandes varejistas no segundo trimestre de 2026, representando 31% de todo o incremento. Redes como Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel já refletem essa tendência positiva em suas receitas.
Perguntas Frequentes
O que são medicamentos à base de semaglutida?
Os medicamentos à base de semaglutida são agonistas de GLP-1, substâncias que atuam no controle da glicose e na redução do apetite, sendo utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. São comumente administrados em formato de canetas injetáveis.
Por que o preço da semaglutida caiu no Brasil?
O preço da semaglutida caiu no Brasil devido ao vencimento da patente da Novo Nordisk em março de 2026, o que permitiu a aprovação e entrada de produtos genéricos e similares de outras fabricantes, como EMS e Germed, aumentando a concorrência no mercado.
Quais fabricantes lançaram novas versões de semaglutida no Brasil?
As fabricantes EMS e Germed lançaram novas versões de semaglutida no Brasil. A EMS recebeu aprovação para quatro moléculas injetáveis genéricas e para o Ozivy, enquanto a Germed obteve autorização para quatro produtos da linha Semaclique, registrados como similares.
Qual o impacto do mercado de GLP-1 no varejo farmacêutico brasileiro?
O mercado de GLP-1, impulsionado pela semaglutida, está expandindo rapidamente no Brasil, com projeção de superar R$ 17 bilhões em 2026. Isso tem gerado crescimento significativo nas receitas das farmácias, com queda de preços, aumento do volume de vendas e melhoria das margens brutas para o setor.
