Estudo da ActiveCampaign e Anamid aponta que segmento de Saúde tem Índice de Maturidade Digital de apenas 36,5 pontos, bem abaixo da média nacional.

O setor de Saúde no Brasil demonstra o cenário mais precário e analógico quando o assunto é a aplicação de Inteligência Artificial (IA) no marketing. É o que indica a recente pesquisa “Maturidade da IA no Marketing”, uma iniciativa da ActiveCampaign em colaboração com a Anamid (Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital).

O levantamento ouviu 215 empresas, incluindo contratantes e fornecedores de serviços, e mapeou dez segmentos de mercado no país. A Saúde amarga a última posição no ranking nacional, registrando um Índice de Maturidade Digital (IMD) de apenas 36,5 pontos em uma escala que vai de 0 a 100.

Essa pontuação contrasta fortemente com a média nacional de 55,1 pontos e coloca o setor em desvantagem, mesmo à frente de segmentos como Varejo (48,7 pontos) e Indústria (45,0 pontos), que também mostram uma adoção cautelosa da tecnologia. A baixa maturidade do setor de Saúde reflete desafios únicos, que vão desde a alta regulamentação até a sensibilidade dos dados de pacientes.

Saúde e os desafios da Inteligência Artificial no marketing

Enquanto o segmento de Saúde ocupa a lanterna com seus 36,5 pontos no IMD, outros setores despontam como líderes em inovação. Empresas de Tecnologia (65,1 pontos), Finanças (61,2 pontos) e Serviços Profissionais (60,9 pontos) puxam a fila da maturidade digital no país. Em um bloco intermediário, aparecem Construção (59,8 pontos), Outros segmentos (57,8), Educação (51,9) e Mídia (51,2).

Para Rodrigo Bidinoto, diretor global de vendas da ActiveCampaign, essa liderança de Tecnologia e Finanças é compreensível. “É natural que setores de Tecnologia e Finanças liderem o ranking, já que historicamente investem em transformação digital e a IA é um ‘próximo passo lógico’”, explica. Ele ressalta que a situação da Saúde é diferente.

Bidinoto detalha o porquê da última posição do setor de Saúde: “Por outro lado, o segmento de Saúde ocupar a última posição reflete uma realidade de mercado: é uma área altamente regulada, que lida com dados sensíveis de pacientes e onde a margem para erros ou ‘alucinações’ da IA é zero.”

Falta de capacitação e subutilização da IA nas empresas

A pesquisa aponta que a adoção da Inteligência Artificial já é quase universal no ambiente de negócios, com 90% das marcas afirmando utilizá-la no dia a dia. Contudo, a maturidade no emprego dessa tecnologia ainda está em estágios iniciais. Um dado alarmante é que 63,7% das organizações usam IA sem processos formais ou se limitam a recursos nativos de sistemas operacionais.

Rodrigo Bidinoto destaca essa lacuna: “A pesquisa mostra um cenário de subutilização e falta de capacitação, especialmente do lado das marcas contratantes. O diagnóstico mostra que o mercado superou a barreira do acesso, já que 90% das marcas afirmam utilizar a inteligência artificial no dia a dia, mas falha no aprofundamento tático.”

Essa falta de aprofundamento é visível na restrição do uso da tecnologia: 9 em cada 10 empresas contratantes de serviços de marketing (90%) empregam a IA quase exclusivamente para produção de conteúdo, como textos e imagens. Além disso, apenas 15% dessas empresas possuem programas estruturados de treinamento para suas equipes.

A consequência direta é a perda de oportunidades estratégicas, como a análise preditiva de dados, automações complexas e a hiperpersonalização da jornada do cliente. Rodrigo Neves, presidente da Anamid, sumariza: “O estudo revela um cenário de avanço real, mas ainda desigual. A IA já está presente nas rotinas de contratantes e fornecedores, porém, sua adoção ainda se concentra mais em produtividade, automação de tarefas e apoio operacional do que em transformação estratégica profunda.”

Agilidade de pequenas empresas impulsiona maturidade digital

No que diz respeito ao porte das empresas, a pesquisa “Maturidade da IA no Marketing” revelou que a agilidade de estruturas menores muitas vezes supera a burocracia dos grandes grupos. As microempresas, com 1 a 9 colaboradores, lideram o Índice de Maturidade Digital com a maior nota do levantamento: 58,4 pontos.

Esse índice tende a cair à medida que o tamanho da empresa aumenta. Organizações de 10 a 49 funcionários pontuam 56,0; seguidas pelas de 50 a 249 colaboradores (52,4 pontos) e pelas de 250 a 999 profissionais (47,8 pontos). Na última posição, as grandes corporações com mais de 1.000 funcionários registram a menor maturidade da pesquisa, com apenas 44,3 pontos.

Rodrigo Neves explica esse fenômeno: “Empresas menores parecem se beneficiar da agilidade para experimentar e incorporar IA rapidamente. Empresas maiores, por sua vez, precisam vencer a complexidade organizacional para transformar experimentos em escala, política, método e vantagem competitiva sustentável.”

Rodrigo Bidinoto complementa, destacando a diferença entre maturidade individual e organizacional. “Uma das explicações que justificam esses resultados é que a maturidade individual difere da organizacional. Nas pequenas empresas, um único talento dominando a IA transforma todo o negócio rapidamente. Já nas grandes corporações, essa habilidade acaba diluída pela burocracia”, afirma.

Perguntas Frequentes

O que é o Índice de Maturidade Digital (IMD)?

O IMD é uma pontuação de 0 a 100 que avalia o nível de adoção e uso estratégico de tecnologias digitais, incluindo IA, nas empresas. Ele é baseado no Modelo CDE (Continuous Digital Evolution) da Anamid, que analisa oito dimensões organizacionais em quatro estágios de maturidade.

Qual setor brasileiro tem a maior maturidade no uso de IA para marketing?

O setor de Tecnologia lidera o ranking nacional com 65,1 pontos no Índice de Maturidade Digital (IMD). Ele é seguido de perto pelos setores de Finanças (61,2 pontos) e Serviços Profissionais (60,9 pontos).

Por que o setor de Saúde tem baixa maturidade no uso de IA para marketing?

A baixa maturidade do setor de Saúde é atribuída à sua natureza altamente regulada e à necessidade de lidar com dados sensíveis de pacientes. A margem para erros ou “alucinações” da IA é inexistente, o que exige uma abordagem mais cautelosa e lenta na adoção da tecnologia.

Qual o principal uso da Inteligência Artificial por empresas de marketing hoje?

Atualmente, a maioria das empresas (90% das contratantes de serviços de marketing) restringe o uso da IA à produção de conteúdo, como a criação de textos e imagens. Há uma subutilização da tecnologia para frentes mais estratégicas, como análise preditiva e hiperpersonalização.