Raphael Brandão se muda para EUA após décadas no Brasil

No ano de 2023, o oncologista Raphael Brandão fez um salto inesperado na carreira.

Emplacado pela última década à frente dos maiores hospitais brasileiros e hoje diretor da oncologia da Rede São Camilo, Brandão se mudou para os Estados Unidos para aceitar uma posição de Associate Professor na University of Florida. Essa movimentação representa um passo significativo em direção a uma ecossistema onde pesquisa e cuidados ao paciente andam juntos.

Investimentos em P&D insuficientes no Brasil

Na visão de especialistas, essa decisão não tem ligação com falta de reconhecimento ou carência de oportunidades. O movimento vem mais da necessidade de um ambiente favorável para produção científica.

O país gasta apenas 1,19% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), uma proporção muito abaixo da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que é de aproximadamente 2,7%. Nos Estados Unidos, o percentual é de 3,5%, quase três vezes maior.

Caso brasileiro reflete um gargalo nacional

Esta realidade impacta diretamente no cenário da pesquisa clínica do país. Enquanto o Brasil ocupa apenas a 20ª-25ª posição global, com participação de apenas 2% dos estudos clínicos oncológicos iniciados entre 2014 e 2023, outros países menores economicamente chegam perto do topo do ranking.

Perguntas Frequentes

O que falta no Brasil para avançar em pesquisa clínica?

Junto à estrutura deficiente, faltam recursos humanos, agilidade no licenciamento e uma gestão mais eficaz do que já exista.

Quais são as principais desvantagens do atual sistema de pesquisa no Brasil?

Entre os principais problemas estão a baixa priorização do P&D pelo governo, dificuldade em atrair profissionais qualificados e acesso limitado a inovações tecnológicas e terapêuticas.

O que esperar das novas leis de pesquisa clínica?

A expectativa é que elas visem ao aumento do número de estudos, levando em conta as demandas crescentes da população.