No Brasil, o mercado de tecnologia médica, que movimenta US$ 15,5 bilhões, só vai inovar de verdade se focar na escuta ativa dos profissionais e pacientes, segundo Mariana Telles, da Baxter.

O Brasil se destaca como o maior mercado de tecnologia médica em toda a América Latina, com uma movimentação anual que alcança impressionantes 15,5 bilhões de dólares. Este volume expressivo, no entanto, carrega consigo a enorme responsabilidade de garantir que a inovação não apenas chegue rapidamente, mas também com qualidade e relevância para todos.

Para Mariana Telles, diretora geral da Baxter Brasil, o caminho para cumprir essa responsabilidade começa por uma competência muitas vezes negligenciada nos planos estratégicos: a capacidade de ouvir. O setor de saúde, apesar de ser rico em dados e indicadores de eficiência e segurança, frequentemente carece de contexto humano.

Relatórios e números não conseguem capturar as razões pelas quais um protocolo não é seguido na prática, ou por que uma solução tecnicamente robusta falha em se consolidar no dia a dia das equipes. Essa lacuna, longe de ser técnica, é essencialmente humana e só pode ser preenchida quando os líderes se aproximam da realidade.

A Lacuna Humana: indo além dos dados na saúde

O grande desafio da inovação em saúde, segundo Mariana Telles, reside em ir além das métricas e se conectar com quem vive a realidade do sistema. Isso significa ouvir o gestor que opera com orçamentos apertados, o profissional de saúde que precisa adaptar equipamentos à sua rotina e o paciente que experimenta a tecnologia de maneiras que nenhum estudo clínico consegue prever.

Essa necessidade não é abstrata, mas se traduz em escolhas de gestão concretas. Telles questiona: quais perguntas são feitas antes de um lançamento? Quem é incluído nas discussões estratégicas? Como uma solução é validada antes de ser amplamente escalada?

Escuta Ativa: a base para parcerias relevantes

Para a diretora da Baxter Brasil, liderar com escuta ativa significa reconhecer que a melhor inteligência sobre um problema muitas vezes reside fora dos escritórios da empresa. Ela está presente nas instituições que utilizam os produtos e serviços todos os dias, nas experiências de quem está na ponta.

O sistema de saúde brasileiro é complexo, não apenas por sua geografia, mas pela diversidade de perspectivas dentro de cada instituição. Uma única decisão pode envolver o gestor preocupado com custos, o médico focado na eficácia clínica e o enfermeiro que operará o equipamento diariamente. Essas são visões legítimas e, por vezes, conflitantes.

Por essa razão, ouvir o cliente não deveria ser apenas uma etapa comercial, mas o ponto de partida para construir parcerias duradouras e relevantes. A prioridade deve ser menos soluções prontas e mais perguntas genuínas, pois é dessa escuta que nascem as inovações que realmente permanecem e geram valor significativo.

Desacelerar para Inovar: a liderança do futuro no setor

O mercado de tecnologia médica no Brasil cresce em volume, complexidade e expectativas, impulsionando a tendência natural de acelerar: lançar mais, anunciar mais, escalar mais rápido. Mariana Telles compreende essa lógica de mercado, mas propõe uma reflexão.

Ela acredita que as empresas que realmente liderarão o próximo ciclo da saúde no país serão aquelas capazes de desacelerar no momento certo. Essa pausa estratégica para ouvir melhor permite decidir com muito mais precisão, resultando em inovações mais assertivas e eficazes. Esse é o modelo de liderança que Mariana Telles escolhe exercer e o convite que faz a todo o setor.

Perguntas Frequentes

Qual o tamanho do mercado de tecnologia médica no Brasil?

O Brasil é o maior mercado de tecnologia médica da América Latina, movimentando anualmente cerca de 15,5 bilhões de dólares.

Por que Mariana Telles defende a escuta ativa na inovação em saúde?

Mariana Telles, diretora geral da Baxter Brasil, defende a escuta ativa para preencher uma lacuna humana no setor, garantindo que a inovação vá além dos dados e atenda às necessidades reais de gestores, profissionais de saúde e pacientes na ponta.

O que a "escuta ativa" representa na prática para as empresas do setor de saúde?

Na prática, a escuta ativa envolve fazer perguntas estratégicas antes dos lançamentos, incluir diversas perspectivas nas discussões e validar soluções com quem as utilizará no dia a dia, antes de escalá-las.

Quem é Mariana Telles e qual sua função no mercado de saúde?

Mariana Telles é a diretora geral da Baxter Brasil. Ela é uma liderança no setor de tecnologia médica, defendendo uma abordagem focada no contexto humano e na escuta das necessidades dos usuários para promover a inovação.

Como a complexidade do sistema de saúde brasileiro influencia a necessidade de escuta ativa?

A complexidade do sistema brasileiro, com suas múltiplas perspectivas (custos, eficácia clínica, operação diária), exige que a escuta ativa seja o ponto de partida para a criação de parcerias e soluções que gerem valor real para todos os envolvidos."