A Rede Santa Catarina, através de seu CIO Sandro Marchette, aponta que o grande desafio atual é transformar o potencial da inteligência artificial em resultados concretos, exigindo preparo do ambiente e cultura organizacional.
Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) consolidou sua presença na agenda estratégica de hospitais e organizações de saúde no Brasil. O que antes eram projetos-piloto e experimentais, hoje integra o planejamento institucional, com aplicações que apoiam a decisão clínica, automatizam processos e melhoram a eficiência operacional, além da experiência do paciente.
Contudo, com o amadurecimento desse movimento, uma nova e crucial preocupação emerge entre os gestores: como converter o vasto potencial da IA em resultados palpáveis para o cotidiano da operação e, principalmente, para o cuidado direto ao paciente?
Para Sandro Marchette, Group CIO & CTO da Rede Santa Catarina, esta é a essência do principal desafio da atual etapa da transformação digital na saúde. Com sua vasta experiência no setor, o especialista alerta que encarar a IA meramente como uma solução tecnológica é um erro comum que precisa ser superado para alcançar a verdadeira inovação.
Gerando Valor com Inteligência Artificial na Saúde
Marchette enfatiza que o mercado deixou de questionar simplesmente quais instituições utilizam a inteligência artificial. A discussão evoluiu para uma avaliação de quem realmente consegue gerar valor tangível com essa tecnologia em um ambiente real. Segundo o executivo, o diferencial não reside na quantidade de ferramentas adotadas, mas na capacidade de empregá-las de forma segura, integrada e alinhada à estratégia central de cada instituição.
Essa abordagem prática exige mudanças estruturais significativas. O ambiente hospitalar precisa ser preparado para que a tecnologia funcione plenamente, o que envolve a garantia da qualidade e integração dos dados, a segurança da informação, a estruturação de processos claros, a definição precisa de responsabilidades e, crucialmente, a capacitação adequada das equipes. Sem essa base sólida, mesmo as soluções de IA mais sofisticadas correm o risco de não entregar os resultados esperados.
Preparando o Ambiente para a Inovação Tecnológica
O desafio de gerar valor com a IA começa muito antes da contratação de qualquer solução. Com o aumento da oferta de ferramentas de inteligência artificial para o setor, os hospitais estão revendo seus critérios de investimento. Na visão de Sandro Marchette, o ponto de partida deve ser a identificação clara de um problema real da instituição, e não a simples adoção da tecnologia por si só.
Uma boa solução de inteligência artificial, conforme destaca o especialista, não é aquela que apenas impressiona em uma demonstração. Ela precisa, de fato, melhorar processos, apoiar decisões complexas e entregar resultados consistentes na operação. Isso passa, de forma obrigatória, por uma cultura organizacional que esteja preparada para acolher e otimizar o uso dessas ferramentas.
Marchette também reforça que a inteligência artificial deve atuar como uma aliada estratégica dos profissionais de saúde, e não como um substituto. A IA tem o poder de ampliar a capacidade de decisão dos especialistas, reduzir tarefas repetitivas e, consequentemente, permitir que eles dediquem mais tempo ao cuidado direto e humanizado do paciente.
Governança e Dados: O Coração dos Hospitais Inteligentes
A expansão da inteligência artificial continuará a impactar diversas áreas, desde o apoio à decisão clínica e administrativa até a automação de atividades rotineiras e modelos preditivos para gestão de capacidade e riscos. A integração de informações assistenciais, financeiras e operacionais também se beneficiará enormemente.
Contudo, o avanço dessas aplicações torna a governança um elemento estratégico para assegurar segurança, transparência e confiabilidade. "A principal transformação dos próximos anos não será determinada por quem adotar mais ferramentas de IA, mas por quem conseguir aliar tecnologia, processos, dados, pessoas e governança de forma consistente
