Hepatites virais evoluem em silêncio e ainda matam por falta de diagnóstico
É surpreendente sabermos que, diferentemente da imagem geral de uma doença grave, as hepatites virais B e C não doem e nem causam febre alta durante os primeiros anos. No entanto, o perigo está nas duas décadas esmaecidas em que elas permanecem no organismo, progressivamente danificando o fígado até a doença se manifestar com sintomas intensos.
Mortes evitáveis
Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826 mil casos confirmados da doença entre 2000 e 2024, com quase 50 mil mortes associadas. A hepatite C concentra a maior parte dessa cifra, respondendo por 41,5% dos casos, mas 75,3% das mortes, devido ao diagnóstico tardio.
Testagem gratuita e importante
A boa notícia é que o diagnóstico é simples, rápido e gratuito pelo SUS. O mesmo boletim aponta queda de 50% na mortalidade por hepatite B e de 60% na morte por hepatite C entre 2014 e 2024.
Como se proteger?
Marcos, o infectologista Rogério de Jesus Pedro, ressalta que a maior desvantagem é a falta de sinais perceptíveis: ‘As hepatites B e C podem evoluir por décadas sem causar sintomas percebíveis até que o fígado já esteja comprometido. Fazer o teste não é burocracia, é a diferença entre descobrir a doença a tempo de tratar ou morrer negligenciada.’
Perguntas Frequentes
Teste gratuito existe?
Sim, o teste é oferecido gratuitamente nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Unidades Básicas de Saúde do SUS.
Quem deve se testar?
Todos os adultos devem fazer pelo menos uma vez na vida. Grupos de maior risco incluem profissionais da saúde, usuários de agulhas compartilhadas e aqueles com histórico de transfusão antes do ano 2000.
Tratamento é eficaz?
A hepatite C tem hoje uma cura de cerca de 97% com medicamentos à base de comprimidos orais, oferecidos gratuitamente pelo SUS.
