Na Pague Menos, canetas GLP-1 movimentam R$ 134 milhões mensais, mas a gestão exige alto capital e enfrenta riscos de segurança.

As canetas GLP-1, conhecidas por seu uso no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, estão revolucionando o mercado farmacêutico brasileiro, não apenas pelo faturamento direto que geram, mas também por seu efeito multiplicador nas vendas de outros produtos.

Dados recentes apresentados pela Pague Menos revelam que para cada R$ 1 gasto pelos clientes em medicamentos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, a rede de farmácias registra um adicional de R$ 8,14 em vendas de outros itens.

Essa estratégia de cross-selling tem se mostrado extremamente lucrativa, mas a categoria também impõe desafios significativos de logística, segurança e alto capital de giro às operações das farmácias no Brasil.

Canetas GLP-1 Impulsionam Vendas Adicionais

O impacto das canetas GLP-1 vai muito além do balcão de medicamentos. Segundo Jonas Marques, CEO da Pague Menos, o efeito dessas vendas é um verdadeiro catalisador para o consumo de outros produtos na loja, gerando a chamada "cesta de compras".

Marques detalhou, durante painel na 27ª Conferência Anual do Santander, alguns exemplos dessa compra combinada. Pacientes que adquirem canetas frequentemente levam também produtos como o Glifage, um medicamento para controle da glicemia em diabéticos tipo 2, e o suplemento Nugenix, que contém óxido nítrico.

Curiosamente, a cesta de compras também inclui itens de "autoindulgência". O executivo revelou que "Um dos produtos mais comprados no mesmo tíquete do Mounjaro, desde o início, é sorvete de 2 litros. Todos nós somos humanos, sabemos, é autoindulgência".

Faturamento Direto e a Necessidade de Capital

Diretamente, a venda de medicamentos GLP-1 já representa um volume financeiro expressivo para a Pague Menos. As canetas movimentam cerca de R$ 134 milhões por mês na rede, o que corresponde a 10% do faturamento total da companhia.

Contudo, essa categoria de produtos de alto valor agregado exige uma infraestrutura operacional robusta. Investimentos em equipamentos como câmaras frias são essenciais para garantir as condições adequadas de conservação desses medicamentos.

A necessidade de capital de giro é outro ponto crítico. Jonas Marques exemplificou a situação ao mencionar que "O primeiro pedido que fizemos para colocar o Wegovy nas farmácias custou R$ 70 milhões e o prazo para pagamento é de 20 dias. Então, é preciso ter um capital de giro gigante".

Altos Riscos de Segurança e Estoque

Além do capital e da logística, o setor enfrenta o desafio da segurança. O CEO da Pague Menos destacou o impacto dos roubos, informando que cada farmácia mantém aproximadamente R$ 100 mil em estoque desses produtos, um valor considerável que pode ser perdido em caso de furto ou roubo.

A combinação de alto giro, tíquete adicional e a demanda por infraestrutura específica posiciona os medicamentos GLP-1 como estratégicos para o varejo farmacêutico, ao mesmo tempo em que exige uma gestão rigorosa de estoque, capital, armazenamento e segurança.

CEO Critica Venda de Medicamentos em Marketplaces

Jonas Marques também manifestou forte oposição à recente movimentação da Anvisa para permitir a comercialização de medicamentos por marketplaces e plataformas de comércio eletrônico, como iFood, Rappi, Mercado Livre, Americanas e Shopee.

"Seria uma irresponsabilidade sanitária", declarou o executivo, enfatizando o papel crucial das farmácias na cadeia de distribuição. As farmácias são responsáveis pela validação, certificação e garantia de procedência dos medicamentos, etapas que Marques considera essenciais para a segurança do consumidor.

Embora a Anvisa tenha aberto caminho para que essas plataformas atuem na comercialização e entrega, as farmácias e drogarias permanecerão responsáveis pelo armazenamento, dispensação e relacionamento com os laboratórios. A dispensação, em particular, envolve o fornecimento do medicamento pelo farmacêutico e a orientação essencial ao paciente sobre seu uso.

A autorização final para as plataformas ainda depende da regulamentação específica, e a assessoria da Anvisa informou que não há previsão de data para a publicação dessa norma. Para o varejo farmacêutico, essa discussão adiciona uma nova camada de complexidade à competitividade e à distribuição de produtos de alto valor e controle operacional.

Perguntas Frequentes

Como os medicamentos GLP-1 impactam as vendas adicionais nas farmácias?

Para cada R$ 1 gasto em medicamentos GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, as farmácias como a Pague Menos registram um adicional de R$ 8,14 em vendas de outros produtos, como medicamentos para diabetes, suplementos e até alimentos.

Qual o faturamento mensal das canetas GLP-1 na Pague Menos?

As vendas de canetas GLP-1 movimentam R$ 134 milhões por mês na Pague Menos, representando 10% do faturamento total da companhia.

Quais os principais desafios operacionais para as farmácias com as canetas GLP-1?

Os desafios incluem a necessidade de alto capital de giro (um pedido de Wegovy pode custar R$ 70 milhões), investimentos em infraestrutura como câmaras frias para conservação, e altos riscos de segurança, com cada farmácia mantendo cerca de R$ 100 mil em estoque desses produtos, vulneráveis a roubos.

Por que o CEO da Pague Menos critica a venda de medicamentos em marketplaces?

Jonas Marques, CEO da Pague Menos, considera a venda de medicamentos em marketplaces uma "irresponsabilidade sanitária" porque as farmácias desempenham um papel crucial na validação, certificação e garantia de procedência dos produtos, além da orientação essencial ao paciente na dispensação.

A venda de medicamentos em aplicativos e marketplaces já é permitida no Brasil?

A Anvisa abriu caminho para que plataformas como iFood e Mercado Livre comercializem e entreguem medicamentos, mas a autorização depende da definição de regras específicas e da regulamentação do tema, para a qual ainda não há data prevista para publicação.