A destinação correta de luvas e máscaras não depende do tipo de equipamento, mas sim do nível de contaminação, alertam especialistas.
O descarte de Equipamentos de Proteação Individual (EPIs) é uma etapa crucial na rotina das farmácias, essencial para a segurança de funcionários e do meio ambiente. No entanto, o processo gera muitas dúvidas, principalmente sobre a destinação de itens como luvas e máscaras.
José Agostini Roxo, especialista em logística reversa e sócio-diretor da BHS, que atua no Panorama Farmacêutico, esclarece que a dúvida mais comum, sobre onde descartar luvas e máscaras, parte de uma premissa equivocada. Segundo ele, a regra principal não está no tipo de EPI, mas na contaminação que ele sofreu durante o uso.
Isso significa que um avental limpo terá um destino diferente do mesmo material se ele tiver sido usado em procedimentos com contato biológico, por exemplo. Para garantir a segurança, proteger os profissionais e assegurar a conformidade em fiscalizações, cada farmácia deve estruturar seu descarte com base em três premissas fundamentais.
Contaminação Define o Descarte de EPIs na Farmácia
As farmácias utilizam EPIs em três situações principais: em atendimentos clínicos, como a vacinação; no manuseio de medicamentos que são devolvidos pela população nos coletores de logística reversa; e na limpeza de acidentes, como o derramamento de fármacos ou quebra de frascos. O destino final desses equipamentos é determinado pela forma como eles entraram em contato com os resíduos durante essas atividades.
Uniformes ou aventais que não tiveram contato com fluidos orgânicos ou aplicação de vacinas são considerados resíduos comuns. Isso significa que podem ser descartados em lixo comum, sem exigências específicas de segregação.
Segregação de Resíduos: As Cores dos Sacos para EPIs
Para EPIs que tiveram contato com agentes contaminantes, a segregação se torna rigorosa e essencial. Equipamentos com contaminação biológica, como os oriundos de vacinas, sangue ou secreções, devem ser descartados em sacos brancos leitosos e identificados claramente como material infectante.
Já a contaminação química, que resulta da quebra ou derramamento de medicamentos, exige o uso de sacos laranja. Estes, por sua vez, devem ser armazenados em uma bombona devidamente identificada e mantida separada das demais contaminações, seguindo as normas de segurança e vigilância sanitária.
Cuidados Especiais com Perfurocortantes na Logística Reversa
O manuseio dos coletores de logística reversa, onde a população descarta medicamentos, requer cuidados extras. O risco mais comum não são os medicamentos em si, mas a presença de itens perfurocortantes, como agulhas, seringas e lancetas, descartados inadequadamente pelo público. Por isso, o uso de luvas resistentes é crucial durante a retirada dos sacos.
José Agostini Roxo enfatiza a gravidade dessa situação: “Sempre que houver um perfurocortante dentro de um saco com medicamento, todo esse lote é condenado, mesmo que haja uma única agulha em meio a 10 kg de medicamentos”. Perfurocortantes gerados na própria loja devem ser destinados a caixas amarelas ou coletores rígidos de pequeno porte, e posteriormente acondicionados em uma bombona específica.
PGRSS: Plano Único e Obrigatório para Cada Farmácia
Todo o processo de segregação, armazenamento e destinação dos resíduos a uma transportadora licenciada deve ser detalhado no Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). Este é um documento elaborado especificamente para essa finalidade e precisa ser acompanhado por um farmacêutico responsável.
O PGRSS é intransferível e individual, ou seja, cada loja deve ter o seu próprio plano. A rotina de gestão de resíduos exige a demarcação de áreas físicas específicas, metragens, horários e a definição de responsáveis. Essas particularidades tornam o planejamento único para cada estabelecimento farmacêutico, garantindo a conformidade e a segurança ambiental.
Perguntas Frequentes
O que é um EPI e por que seu descarte é importante nas farmácias?
EPI significa Equipamento de Proteção Individual, como luvas e máscaras. Seu descarte correto em farmácias é vital para proteger a equipe contra riscos biológicos e químicos, prevenir acidentes operacionais e assegurar a segurança ambiental, conforme a legislação vigente.
Qual a regra fundamental para o descarte de EPIs em farmácias?
A regra principal é que o descarte não depende do tipo de EPI, mas sim do nível de contaminação recebida durante o uso. Um avental limpo tem um destino diferente de um avental com contato biológico, por exemplo, exigindo segregação específica.
Como identificar a contaminação de EPIs para o descarte adequado?
Existem três grupos principais: resíduo comum (sem contato com fluidos ou vacinas); contaminação biológica (vacinas, sangue, secreções), descartada em saco branco leitoso; e contaminação química (derramamento de medicamentos), descartada em saco laranja e bombona.
O que é o PGRSS e qual sua importância para as farmácias?
O PGRSS é o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde, um documento obrigatório que detalha todo o fluxo de segregação, armazenamento e destinação de resíduos. Ele é intransferível e individual, devendo ser elaborado e acompanhado por um farmacêutico para cada unidade da farmácia, definindo áreas, horários e responsáveis.
Por que os perfurocortantes são um risco na logística reversa de medicamentos?
A população frequentemente descarta itens como agulhas e seringas junto com medicamentos nos coletores de logística reversa. A presença de um único perfurocortante pode condenar um lote inteiro de resíduos, exigindo luvas resistentes para o manuseio e descarte em coletores rígidos e caixas amarelas quando gerados na loja.
