A iniciativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) busca preencher lacunas sobre a identificação e o tratamento da anafilaxia, condição que ainda gera mortes evitáveis.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) acaba de lançar a plataforma online Anafilaxia Brasil, um novo serviço de informação destinado ao público geral. O objetivo principal é democratizar o conhecimento sobre a anafilaxia, a forma mais severa e potencialmente fatal de reação alérgica, que exige atenção e ação imediatas.

Com conteúdo educativo e didático, o site detalha a condição, seus diversos desencadeadores — como certos alimentos, medicamentos ou picadas de insetos — e, crucialmente, os sinais que indicam a necessidade urgente de atendimento médico. A ideia é capacitar a população para reconhecer e agir diante de uma emergência alérgica, protegendo vidas.

A plataforma surge em um cenário onde dados de um registro nacional apontam desafios significativos no manejo da anafilaxia no Brasil, incluindo o baixo uso da medicação salvadora e a falta de acesso a dispositivos essenciais. A iniciativa da ASBAI é um passo fundamental para mudar essa realidade, oferecendo informações confiáveis e acessíveis a todos os brasileiros.

Adrenalina autoinjetável: a chave para salvar vidas

A adrenalina autoinjetável é reconhecida como o único medicamento capaz de salvar a vida de uma pessoa que está sofrendo um choque anafilático. A recomendação clara é que o dispositivo seja aplicado assim que os primeiros sintomas graves surgirem, e, imediatamente após a aplicação, o paciente deve ser encaminhado a um serviço de emergência para acompanhamento.

No entanto, o Brasil enfrenta um grande obstáculo: a ausência de registro da adrenalina autoinjetável na Anvisa. Isso significa que o dispositivo não é comercializado regularmente no país, tornando sua importação a única via para obtê-lo. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI, enfatiza a gravidade dessa situação. “Para a ASBAI, ampliar o acesso à adrenalina autoinjetável é uma medida de segurança do paciente. Não basta saber que a adrenalina salva vidas: é preciso que o medicamento esteja efetivamente ao alcance da pessoa de risco quando a anafilaxia acontece”, declara Fernandes.

Dados alarmantes sobre o manejo da anafilaxia no Brasil

A ASBAI mantém um Registro Brasileiro de Anafilaxia, uma iniciativa vital para mapear e entender as ocorrências da condição no país. A análise mais recente, que incluiu 406 pacientes registrados entre junho de 2021 e fevereiro de 2026, revelou informações cruciais sobre os desafios enfrentados no reconhecimento e tratamento da anafilaxia.

Os principais fatores desencadeantes identificados foram alimentos, medicamentos e picadas de insetos, como abelhas, formigas e vespas. Um dado particularmente relevante é que 48,3% das reações — quase a metade — ocorreram dentro de casa, local onde o acesso rápido a socorro pode ser mais complexo. Apesar de a adrenalina ser o tratamento de primeira escolha, ela foi utilizada em apenas aproximadamente 59% dos casos. Anti-histamínicos e corticoides, que não são o tratamento primário para a anafilaxia, foram empregados com muito mais frequência.

O registro também expôs uma lacuna no uso da forma mais eficaz do medicamento: apenas 28 dos 406 pacientes (7%) receberam adrenalina por autoinjetor. Foram notificados 17 casos de anafilaxia bifásica, uma segunda onda de sintomas que pode surgir horas após a primeira reação. O estudo registrou, ainda, duas mortes, ambas associadas a picadas de himenópteros, e nenhum desses pacientes falecidos possuía um autoinjetor de adrenalina à disposição.

Avanços necessários no reconhecimento e tratamento de emergência

Os dados coletados pela ASBAI reforçam a urgência de avançar em três frentes principais: o reconhecimento precoce da anafilaxia, a utilização adequada da adrenalina e, fundamentalmente, o acesso da população brasileira ao tratamento de emergência. A falta do autoinjetor e o uso inadequado de outras medicações destacam uma necessidade crítica de educação e políticas públicas.

Marisa Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da ASBAI, reforça o papel estratégico da nova plataforma. “Por isso, o lançamento do site Anafilaxia Brasil representa um importante serviço de orientação à população. A informação pode ajudar a reconhecer rapidamente uma reação grave, entender seus possíveis desencadeadores e buscar atendimento adequado no momento certo, evitando desfechos trágicos”, comenta a especialista. A plataforma é uma ferramenta vital para que mais brasileiros estejam preparados para lidar com essa emergência médica.

Perguntas Frequentes

O que é anafilaxia e como identificá-la?

Anafilaxia é a forma mais grave de reação alérgica, que se manifesta rapidamente e pode ser fatal. Os sinais incluem inchaço nos lábios, olhos ou garganta, dificuldade para respirar, queda da pressão arterial, urticária generalizada, vômitos, diarreia e tontura. É uma emergência médica que exige ação imediata.

Qual o papel da adrenalina autoinjetável na anafilaxia?

A adrenalina autoinjetável é o tratamento de primeira escolha e o único que pode reverter a anafilaxia, salvando a vida do paciente. Ela deve ser aplicada intramuscularmente na coxa assim que os sintomas graves surgirem, seguida de encaminhamento imediato a um pronto-socorro.

Por que o autoinjetor de adrenalina não está disponível no Brasil?

Atualmente, o autoinjetor de adrenalina não possui registro na Anvisa, a agência reguladora brasileira. Isso impede sua comercialização regular no país, tornando a importação a única alternativa para pacientes que precisam do dispositivo. A ASBAI defende a urgência de seu registro para garantir o acesso amplo.

Onde encontrar informações confiáveis sobre anafilaxia?

A plataforma Anafilaxia Brasil, lançada pela ASBAI, é a fonte oficial recomendada para informações educativas e confiáveis sobre a condição, seus desencadeadores e a importância do tratamento. O site oferece conteúdo desenvolvido por especialistas para pacientes, familiares e público em geral.