Estudo da Unifesp aponta alta nas urgências e óbitos por câncer no SUS devido a diagnósticos tardios

As emergências oncológicas registraram um crescimento médio de 3,5% ao ano nas internações do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2008 e 2024. A pesquisa conduzida por cientistas da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) analisou quase 5 milhões de registros.

O levantamento revelou que os óbitos hospitalares por essas complicações graves aumentaram 4,1% anualmente no mesmo período, conforme estudo publicado na revista Cancer Epidemiology e apoiado pela FAPESP, conforme informação divulgada por Medicina SA.

O trabalho foi coordenado pelo professor Lucas Leite Cunha, da Unifesp, com a participação de Guilherme Falcão Machado e Cassiano Pereira de Barros, evidenciando falhas estruturais e gargalos no acesso ao diagnóstico e tratamento precoce.

O que são emergências oncológicas

As emergências oncológicas acontecem quando o câncer deixa de ser localizado e provoca complicações agudas que comprometem rapidamente órgãos vitais do paciente. Entre os casos mais comuns estão a compressão da medula espinhal, a insuficiência respiratória e a obstrução intestinal.

Segundo o professor Lucas Leite Cunha, o paciente chega ao pronto-socorro em estado crítico, necessitando de atendimento imediato. A condição também abrange infecções graves por queda de imunidade e alterações metabólicas letais, como a hipercalcemia associada à malignidade.

Impacto do diagnóstico tardio no SUS

A investigação científica apontou que o aumento das internações persiste mesmo após ajustes estatísticos para o envelhecimento da população. Isso demonstra que fatores como a demora no rastreamento e na iniciação do tratamento pesam diretamente no agravamento dos quadros.

Muitos pacientes descobrem a doença apenas quando ela já provocou falhas sistêmicas, chegando ao Hospital São Paulo sem diagnóstico prévio. Nesses cenários, os doentes demandam UTI e ventilação mecânica, reduzindo drasticamente as chances de recuperação na rede pública.

Desigualdades regionais e demográficas

Os dados detalharam que o crescimento das internações e mortes foi mais acentuado entre mulheres, pessoas pretas e pardas, idosos e moradores das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Para os especialistas, esses números refletem barreiras históricas no acesso à saúde.

Para reverter o quadro, os pesquisadores reforçam a necessidade de ampliar o investimento em diagnóstico precoce e prevenção. Diagnosticar a doença no início é mais eficiente para o paciente e menos custoso para o sistema público de saúde do que gerenciar crises na urgência.

Perguntas Frequentes

O que são emergências oncológicas?

São complicações graves causadas pelo câncer avançado ou pelo tratamento que comprometem órgãos vitais e exigem atendimento médico imediato no pronto-socorro.

Por que as internações oncológicas aumentaram no SUS?

O crescimento é impulsionado por falhas no diagnóstico precoce, demora no acesso ao tratamento especializado e barreiras estruturais na rede pública.

Quais grupos foram mais afetados pelas complicações do câncer?

O estudo da Unifesp mostrou que o impacto foi maior entre mulheres, pessoas pretas e pardas, idosos e moradores das regiões Norte e Nordeste.

Quem coordenou a pesquisa sobre emergências oncológicas?

O estudo foi coordenado pelo professor Lucas Leite Cunha, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp).