O Harmonia Enlouquece, do CPRJ, é referência no uso da música como ferramenta de tratamento e acaba de lançar seu quinto álbum, "O Quinto dos Infernos".
O grupo musical Harmonia Enlouquece, formado por pacientes e profissionais do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ), acaba de lançar seu quinto álbum, intitulado "O Quinto dos Infernos". A banda celebra 25 anos de existência em 2026, consolidando-se como um pilar de tratamento em saúde mental e uma voz de esperança.
O lançamento aconteceu no sábado (15), em um evento especial no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab). A iniciativa reforça o compromisso do CPRJ, uma unidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), com a psiquiatria humanizada, que valoriza a cultura e o protagonismo dos pacientes.
Considerado referência no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo uso da música como ferramenta terapêutica, o grupo já soma 65 músicas gravadas e mais de 75 participantes ao longo de sua trajetória. O novo trabalho promete continuar inspirando e sensibilizando a todos.
O Harmonia Enlouquece e a Jornada Musical
A história do Harmonia Enlouquece começou em 7 de abril de 2001, no Dia Mundial da Saúde. O psicólogo Sidney Dantas convidou Hamilton de Jesus Assunção para uma oficina de música, dando origem ao projeto que hoje conta com 13 componentes, sendo nove deles pessoas em tratamento psiquiátrico.
Hamilton de Jesus Assunção, paciente do CPRJ desde 1998, é a alma criativa do grupo. Ele é responsável pela composição de 62 das 65 músicas gravadas, incluindo 11 das 13 faixas inéditas do álbum "O Quinto dos Infernos". Sua prolífica obra musical é o coração do projeto.
O diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão, que também toca violão básico na banda, enfatiza a importância de Hamilton: "Ele faz a letra, a música e interpreta. Sem ele, a gente não tem o que cantar. Noventa e cinco por cento das músicas são dele", afirmou Sayão, destacando o talento do compositor.
A Música como Ferramenta de Cuidado em Saúde Mental
A relevância do Harmonia Enlouquece vai além da produção artística, sendo um modelo de cuidado em saúde mental. O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro destaca a cultura, a escuta ativa e o protagonismo dos pacientes como pilares fundamentais do tratamento psiquiátrico humanizado.
O grupo recebeu recentemente o Prêmio Asas (Aldir Blanc-RJ), um reconhecimento que valida sua contribuição para a sociedade e para o cenário cultural. Essa premiação ressalta o impacto positivo da música na recuperação e bem-estar dos indivíduos em tratamento de saúde mental.
Hamilton de Jesus Assunção, que iniciou seu tratamento psiquiátrico em 1984 e posteriormente seguiu no CPRJ, expressa o poder transformador da arte. "Música é uma coisa maravilhosa. Ela levanta o nosso astral, mesmo quando ele está em baixa", declarou o compositor à Agência Brasil, reforçando a crença no poder curativo da melodia.
Inovação e Alcance do Centro Psiquiátrico do Rio
O CPRJ é um centro de excelência em psiquiatria humanizada, e suas oficinas de arte são um exemplo disso. Desde o primeiro dia de tratamento, pacientes que têm condições são incentivados a participar, com um alto índice de adesão e sem evasão, promovendo a reinserção social e a criatividade.
Ampliando seu impacto, desde 2016, o Ponto de Cultura do Centro Psiquiátrico promove encontros mensais. A cada sábado, reúne integrantes do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub), do Instituto Municipal Philippe Pinel, de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), além de pacientes internos e de hospital-dia, fomentando a troca de experiências.
Pensando em maior visibilidade e integração, o diretor Francisco Sayão planeja abrir o CPRJ para visitação após as 16h, permitindo que o Harmonia Enlouquece receba seu público. Além disso, o centro já possui uma rádio interna e está desenvolvendo podcasts e um formato online para funcionar em tempo integral, expandindo seu alcance.
Lançamento do Álbum e Programação Especial
O evento de lançamento do álbum "O Quinto dos Infernos" no MuhCab foi uma celebração multifacetada. O público foi recebido por uma exposição que traçou a linha do tempo do CPRJ, desde 2001 até 2026, ano em que o grupo completa 25 anos de existência, mostrando sua evolução e legado.
Um dos pontos altos da programação foi a exibição do documentário "Harmonia Enlouquece - Um mergulho musical pela saúde mental", dirigido por Flávia Lima. O média-metragem retrata em detalhes a trajetória inspiradora da banda, seus desafios e conquistas ao longo das décadas.
A tarde de sábado também contou com uma roda de conversa enriquecedora, abordando temas cruciais como música, inclusão e saúde mental. A iniciativa visa promover o diálogo, quebrar estigmas relacionados aos transtornos psiquiátricos e conscientizar a sociedade sobre a importância da arte no tratamento.
Perguntas Frequentes
O que é o grupo Harmonia Enlouquece?
É um grupo musical composto por pacientes psiquiátricos e profissionais de saúde do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ). Ele é reconhecido como referência no uso da música como ferramenta de cuidado em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Qual o nome do novo álbum lançado pelo Harmonia Enlouquece?
O quinto álbum do grupo se chama "O Quinto dos Infernos". Ele foi lançado neste sábado (15) e contém 13 músicas, sendo 11 delas inéditas e compostas pelo paciente e principal compositor, Hamilton de Jesus Assunção.
Quem é Hamilton de Jesus Assunção?
Hamilton de Jesus Assunção é um paciente do CPRJ desde 1998 e o principal compositor do grupo Harmonia Enlouquece. Ele é autor de 62 das 65 músicas gravadas pela banda, incluindo a maioria das faixas do novo álbum "O Quinto dos Infernos".
Como o CPRJ utiliza a música no tratamento psiquiátrico?
O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) utiliza a música e outras atividades culturais, como oficinas de arte, como parte de um tratamento humanizado. Essa abordagem valoriza a escuta ativa e o protagonismo dos pacientes, com o Harmonia Enlouquece sendo um exemplo central.
Onde o novo álbum do Harmonia Enlouquece foi lançado?
O lançamento do álbum "O Quinto dos Infernos" ocorreu no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab), no Rio de Janeiro. O evento incluiu uma exposição, a exibição de um documentário sobre a banda e uma roda de conversa sobre saúde mental e inclusão.
