Especialistas avaliam que custos adicionais da redução da jornada serão parcialmente repassados aos consumidores.

O Senado aprovou nesta semana o fim da escala 6x1, medida que altera a jornada de trabalho no Brasil. A mudança deve pressionar os custos operacionais do comércio a partir de 2027.

Analistas de mercado estimam que até 45% desse custo extra poderá ser incorporado aos preços finais. A absorção restante dependerá de ganhos de produtividade e ajustes nas margens das empresas.

O cenário econômico exige cautela das varejistas, conforme informação divulgada por Farmacias.

Impacto nos preços ao consumidor em 2027

Para Letícia Moschioni, sócia da Finscale, apenas 20% a 30% do custo adicional efetivo será repassado aos consumidores em 2027. O impacto líquido estimado sobre o IPCA ficará próximo de 0,05 ponto percentual.

Já Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, projeta que entre 35% e 45% do custo adicional poderá chegar aos preços. A pressão líquida sobre a inflação oficial poderá atingir aproximadamente 0,12 ponto percentual.

Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, aponta que entre 25% e 35% do custo extra chegará ao consumidor. A maior parcela deve ser compensada por produtividade ou absorvida pelos empresários do setor.

Desafios para o varejo e ações na B3

O mercado de consumo apresenta sinais de lentidão, com alta de apenas 0,1% nas vendas do varejo em agosto. A queda de 4,2% em móveis e eletrodomésticos reflete um consumidor seletivo e cauteloso.

Segundo Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, o comércio precisa superar a dependência de descontos. A inovação tecnológica e o uso de inteligência artificial ajudam a aumentar a produtividade no setor.

Empresas listadas na B3, como Magazine Luiza e Lojas Renner, devem ampliar o foco em eficiência operacional. Estudo da XP indica impacto sobre o EBITDA e o lucro líquido das companhias avaliadas.

Visão dos analistas sobre o mercado de trabalho

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que o fim da escala 6x1 traz benefícios sociais, mas pressiona pequenas empresas. Pequenos negócios com margens apertadas podem reduzir contratações e investimentos.

André Matos, CEO da MA7 Capital, destaca que a jornada cairá para 42 horas após a promulgação e para 40 horas um ano depois. Com demanda fraca, as empresas menores devem absorver a maior parte das despesas nas margens.

A CNI aponta alta média de 6,2% nos preços caso ocorra repasse total, enquanto o Ipea calcula impacto de 1%. A busca por eficiência será determinante para a sobrevivência dos negócios.

Perguntas Frequentes

O fim da escala 6x1 vai aumentar os preços no varejo?

Sim, analistas estimam que entre 20% e 45% do custo adicional da redução da jornada poderá ser repassado aos preços ao consumidor em 2027.

Qual será o impacto na inflação oficial pelo IPCA?

As projeções indicam um impacto líquido estimado entre 0,05 e 0,12 ponto percentual sobre o IPCA, dependendo dos ganhos de produtividade das empresas.

Como as empresas da B3 devem reagir à mudança?

Companhias como Magazine Luiza e Lojas Renner devem intensificar investimentos em automação, eficiência operacional e gestão de equipes para preservar margens.

Como a medida afeta os pequenos varejistas?

Pequenos lojistas, que operam com margens apertadas, tendem a absorver os custos nas margens e podem reduzir contratações, investimentos e horários de funcionamento.