Radar de Maturidade revela que corporações focam no acolhimento, mas falham na prevenção dos riscos psicossociais
Uma nova pesquisa divulgada em São Paulo revela que apenas 21,8% das organizações brasileiras adotam intervenções formais para combater as causas do adoecimento mental no ambiente corporativo, conforme levantamento recente.
O estudo foi desenvolvido e realizado pela Bee Touch com a promoção da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, mapeando o cenário atual da gestão de riscos psicossociais nas empresas do país durante os meses de agosto e outubro de 2026.
O levantamento aponta que, embora o acolhimento tenha avançado, a mudança estrutural nas condições laborais ainda é baixa, conforme informação divulgada por Medicina SA.
Desafios na prevenção de riscos psicossociais
A prática mais presente nas companhias é a estrutura formal para combater violência e assédio, declarada por 63,7% dos participantes, seguida pelo acesso estruturado a apoio psicológico, presente em 44,4% das empresas avaliadas.
Em contraste, apenas 21,8% das corporações realizam intervenções diretas nas condições de trabalho, como distribuição de demandas, autonomia, clareza de papéis e redesenho de funções para proteger os colaboradores.
Segundo a coordenadora técnica do Radar, Ana Carolina Peuker, as empresas aprenderam a acolher quem adoece, mas o próximo passo essencial é mudar efetivamente o trabalho que gera o adoecimento emocional na rotina.
Impacto da NR-1 na gestão corporativa
Desde maio de 2026, a Norma Regulamentadora número um inclui oficialmente os fatores de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, exigindo controle ativo na organização do trabalho.
A legislação obriga as empresas a identificar, avaliar e controlar riscos psicossociais, indo muito além de oferecer apenas assistência pontual ou canais isolados de ajuda psicológica aos profissionais.
A especialista Ana Carolina Peuker destaca que a nova regra exige postura preventiva, alinhando a gestão de pessoas às exigências legais vigentes no mercado de trabalho brasileiro atual.
Governança e preparo das lideranças
O estudo mostra que a avaliação periódica de riscos aparece em apenas 37,9% das respostas, enquanto o ciclo documentado de melhoria contínua atinge o menor resultado, somando apenas 21%.
A pesquisa aponta que organizações maiores apresentam índices mais elevados de maturidade, mas o porte responde por apenas 11,1% da variação nos dados coletados pelo levantamento.
Fatores como governança estratégica, preparo adequado das lideranças e processos contínuos de prevenção pesam muito mais do que o tamanho da empresa para garantir um ambiente saudável.
Perguntas Frequentes
O que avalia o Radar de Maturidade em Saúde Mental?
A ferramenta digital analisa práticas organizacionais relacionadas à gestão de riscos psicossociais e saúde mental em empresas de diferentes portes e setores no Brasil.
Qual é a principal dificuldade das empresas na saúde mental?
O estudo aponta que as organizações sabem acolher funcionários que adoecem, mas encontram grande dificuldade em atuar preventivamente sobre as condições de trabalho geradoras de estresse.
Como a NR-1 afeta a gestão de riscos psicossociais?
A norma passou a exigir que as empresas incluam fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, obrigando o controle preventivo na organização das tarefas diárias.

