Nova assinatura imunológica identifica pacientes com maior chance de resposta ao tratamento oncológico.

Pesquisadores brasileiros identificaram uma assinatura imunológica capaz de prever quais pacientes com câncer de pulmão respondem melhor à imunoterapia.

O avanço científico utiliza exames laboratoriais acessíveis para mapear células de defesa antes do início do tratamento contra o tumor metastático.

A descoberta pode viabilizar a ampliação do acesso aos medicamentos de alto custo no Sistema Único de Saúde, conforme informação divulgada por Medicina SA.

O desafio do câncer de pulmão e a imunoterapia

O câncer de pulmão de células não pequenas representa cerca de 85% de todos os tumores pulmonares diagnosticados pela Organização Mundial da Saúde.

Muitos casos são descobertos em estágios avançados, quando os tumores conseguem silenciar a resposta natural do sistema imune dos pacientes.

A imunoterapia contra o câncer utiliza anticorpos específicos para bloquear proteínas na membrana dos linfócitos T, reativando a defesa do organismo.

Segundo o pesquisador Kenneth Gollob, esses anticorpos tiram os freios da resposta imune para dar ao paciente a chance de combater o tumor.

Uso de biomarcadores para reduzir custos no SUS

Para entender a variação na eficácia, a equipe do Hospital Israelita Albert Einstein analisou amostras de sangue de 33 pacientes com tumores.

Os cientistas descobriram uma assinatura imunológica com marcadores que separam com precisão os indivíduos que respondem ao tratamento.

Como apenas uma parcela dos pacientes responde aos fármacos, o teste permite direcionar a terapia para quem realmente tem alta probabilidade de sucesso.

O uso de biomarcadores em oncologia pode reduzir significativamente os custos e viabilizar a oferta dos medicamentos no sistema público.

Testes acessíveis em laboratórios clínicos

O teste para identificar os marcadores utiliza a citometria de fluxo, equipamento já amplamente disponível em laboratórios de análises clínicas.

Segundo especialistas, o procedimento é mais simples do que o diagnóstico de rotina realizado atualmente para a identificação de leucemia.

A equipe planeja novos ensaios clínicos em parceria com a indústria farmacêutica para validar ainda mais a eficácia da abordagem em larga escala.

O Centro para Pesquisa em Imuno-Oncologia também estuda biomarcadores similares em tumores de próstata, cólon, reto, ovário e melanoma.

Perguntas Frequentes

O que são biomarcadores na imunoterapia do câncer de pulmão?

São marcadores biológicos encontrados em linfócitos T que ajudam a prever quais pacientes têm maior probabilidade de responder ao tratamento.

Como o novo teste de biomarcadores é realizado?

O exame utiliza a citometria de fluxo em amostras de sangue, um método já disponível em laboratórios de análises clínicas para diagnóstico de leucemia.

A imunoterapia já está disponível no SUS para câncer de pulmão?

A imunoterapia possui alto custo e uso limitado no SUS, mas o uso de biomarcadores pode direcionar o tratamento e viabilizar a ampliação do acesso.

Quais são os efeitos colaterais da imunoterapia?

Os efeitos incluem reatividade autoimune, manchas na pele, diarreia e inflamações em tecidos saudáveis em cerca de 15% dos pacientes.