Curitiba registra o primeiro transplante renal com cirurgia robótica do Sul do Brasil com órgão de doador falecido
A dentista Jessica Gama de Oliveira, de 36 anos, tornou-se a primeira paciente da região Sul do país a passar por um transplante renal com cirurgia robótica utilizando um órgão de doador falecido. O procedimento pioneiro ocorreu no Hospital São Marcelino Champagnat, localizado em Curitiba, no Paraná.
Após entrar na lista de espera do Sistema Nacional de Transplantes em 21 de agosto, a paciente recebeu um rim compatível em apenas 48 horas, realizando a cirurgia de emergência na madrugada de um sábado. O procedimento durou cerca de três horas e foi conduzido por uma equipe médica especializada, conforme informação divulgada por Medicina SA.
A operação bem-sucedida representa um marco importante para a medicina nacional, combinando alta tecnologia, precisão milimétrica e agilidade logística para salvar vidas e oferecer uma recuperação muito mais rápida e menos dolorosa para pacientes com insuficiência renal.
Como funciona o transplante renal robótico
O urologista Aníbal Branco, especialista em cirurgia robótica, explica que o procedimento com doador falecido exige uma estrutura complexa de prontidão 24 horas. Equipes de enfermagem, UTI e nefrologia precisam estar disponíveis a qualquer momento, tornando essa modalidade mais desafiadora que o transplante intervivo.
A cirurgia utilizou o sistema Da Vinci X, que oferece visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados capazes de eliminar o tremor das mãos. Essa tecnologia reproduz os movimentos do punho do cirurgião, garantindo cortes e suturas altamente precisos em áreas de difícil acesso do corpo humano.
Vantagens da cirurgia robótica em pacientes renais
A principal vantagem da técnica está no tamanho reduzido da incisão, evitando cortes grandes e a secção de músculos abdominais. A equipe aproveitou uma cicatriz prévia de cesárea da paciente para evitar novas marcas profundas.
Como pacientes com insuficiência renal frequentemente apresentam fragilidade muscular devido a comorbidades, a incisão menor reduz significativamente os riscos de complicações na parede abdominal. Jessica Gama de Oliveira recebeu alta após seis dias e relatou uma recuperação tranquila, quase sem dor.
O futuro da cirurgia robótica no Brasil
O nefrologista Rafael Piné destaca que o caso serviu para expandir a experiência médica em um cenário ainda restrito no país. A meta da instituição é ampliar a abordagem para pessoas com obesidade ou múltiplas cirurgias prévias.
Com a marca de 2 mil cirurgias robóticas atingida neste ano, o Hospital São Marcelino Champagnat reforça a tendência de tornar essa tecnologia mais acessível. A expectativa é que o método seja aplicado em um volume cada vez maior de procedimentos futuros.
Perguntas Frequentes
Onde foi realizado o transplante renal robótico?
O procedimento pioneiro foi realizado no Hospital São Marcelino Champagnat, localizado em Curitiba, no Paraná.
Qual foi a principal vantagem da cirurgia robótica para a paciente?
A técnica permitiu incisões menores sem cortar músculos, resultando em menos dor, menor risco de complicações e recuperação mais rápida.
Quem foi o médico responsável pelo procedimento?
A cirurgia foi liderada pelo urologista Aníbal Branco, especialista em cirurgia robótica, junto com a equipe de nefrologia da instituição.
O órgão veio de um doador vivo ou falecido?
O transplante utilizou um rim de doador falecido, modalidade considerada mais complexa que exige prontidão médica 24 horas por dia.

