Estudo aponta que crescimento de beneficiários com mais de 60 anos não elevou frequência de consultas de forma geral.
A população com 60 anos ou mais nos planos de saúde médico-hospitalares passou de 6,6 milhões para 8 milhões de beneficiários entre 2019 e 2025. O avanço representa um acréscimo de 1,4 milhão de vínculos, ou 21,7% no período analisado na saúde suplementar brasileira.
O estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) revela que esse envelhecimento não foi acompanhado por um aumento generalizado da frequência de consultas entre os idosos. A análise distingue a mudança na composição etária da carteira de uma eventual alteração na frequência individual.
A investigação detalha o comportamento de utilização por faixa etária e modalidade de operadora, conforme informação divulgada por Medicina SA.
Envelhecimento da carteira de planos
Entre 2019 e 2025, a carteira total de beneficiários avançou de 47,0 milhões para 52,5 milhões, registrando alta de 11,7%. O superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, destaca que o crescimento expressivo da população idosa impacta diretamente o sistema.
A faixa etária de 40 a 49 anos foi a que mais cresceu no período, com alta de 32% e cerca de 2,3 milhões de beneficiários adicionais. Em 2025, essa população atingiu 9,3 milhões de vínculos, antecipando uma transformação previsível na assistência.
Frequência de consultas por idade
Entre os beneficiários com 70 anos ou mais, o número de consultas ambulatoriais caiu 3,3% nas autogestões, 4,2% na medicina de grupo e 5,7% nas seguradoras. Os aumentos ficaram concentrados nas cooperativas médicas, com alta de 4,9%, e nas filantropias, com 12,6%.
Em 2025, a média de consultas em consultório foi de 2,8 para a faixa de 0 a 19 anos, subindo gradativamente até atingir 6,1 entre aqueles com 70 anos ou mais. Os mais idosos consultam mais, mas não passam a utilizar mais consultas ao longo do tempo.
Uso de pronto-socorro e telemedicina
Nas consultas domiciliares, os idosos com 70 anos ou mais registraram alta na frequência entre 2019 e 2025, passando de 3,5 para 3,9 atendimentos a cada 100 beneficiários. No pronto-socorro, a utilização caiu de 1,2 para 1 consulta por beneficiário na mesma faixa etária.
Segundo Denizar Vianna, a queda pode estar ligada à substituição de urgências por cuidado programado e à expansão da telemedicina. A ferramenta oferece uma alternativa rápida para evitar a procura inadequada por serviços de emergência e riscos desnecessários.
Perguntas Frequentes
A população idosa nos planos de saúde aumentou entre 2019 e 2025?
Sim, o número de beneficiários com 60 anos ou mais passou de 6,6 milhões para 8 milhões no período, um acréscimo de 21,7% na saúde suplementar.
Houve aumento generalizado nas consultas dos idosos?
Não, o estudo do IESS mostra que o crescimento da utilização ocorreu de forma localizada, com quedas em algumas modalidades de operadoras para a faixa de 70 anos ou mais.
Qual faixa etária mais cresceu nos planos de saúde?
A faixa de 40 a 49 anos foi a que registrou o maior crescimento entre 2019 e 2025, com alta de 32% e cerca de 2,3 milhões de novos vínculos.
Por que a frequência no pronto-socorro caiu entre os idosos?
Especialistas apontam como hipóteses a substituição de urgências por cuidado programado e a expansão da telemedicina após 2020.

