Especialistas discutem os desafios financeiros, a queda nas bariátricas e a gestão dos novos tratamentos no setor suplementar.

O avanço dos medicamentos baseados em GLP-1, usados para obesidade e diabetes, está transformando o cenário da saúde suplementar no Brasil. O tema foi debatido no Healthcare Innovation Show 2026, realizado em São Paulo, reunindo especialistas do setor.

O encontro adotou um formato interativo inspirado na Universidade de Oxford, permitindo que a plateia participasse com votos em tempo real. A discussão abordou como a transição desses remédios altera os custos operacionais e a sustentabilidade das operadoras, conforme informação divulgada por Saude Business.

Participaram do painel o cirurgião bariátrico Ricardo Cohen, o diretor de rede sênior da Amil Saúde, Paulo Prado, e o professor de economia da saúde Stephen Stefani. Eles analisaram os impactos econômicos e a necessidade de maior rigor na gestão dos tratamentos.

Queda nas cirurgias bariátricas

A popularização dos remédios para obesidade provocou uma forte retração nos procedimentos cirúrgicos tradicionais no país. Dados exclusivos da operadora Amil indicam uma queda de 39,6% nas cirurgias bariátricas entre setembro de 2024 e agosto de 2026.

O médico Ricardo Cohen apontou que a demanda por tratamento mudou de porta, com pacientes buscando alternativas clínicas em vez de cirurgias. Já Stephen Stefani destacou que o impacto financeiro recai sobre a gestão de recursos e a estratégia da indústria farmacêutica.

Desperdício e gestão de pacientes

Os especialistas concordaram que o principal desafio do setor não é o pagamento, mas a falta de gestão adequada dos recursos. O abandono do uso de GLP-1 sem suporte clínico gera eventos cardiovasculares e renais graves, aumentando custos futuros.

Ricardo Cohen ressaltou a dificuldade das operadoras em identificar pacientes elegíveis, citando que um em cada três lares brasileiros conhece alguém que usa o medicamento. A rotatividade dos planos empresariais também dificulta o retorno financeiro a longo prazo para as operadoras.

Sustentabilidade e precificação

A política de preços dos medicamentos GLP-1 reflete o mercado global, dificultando a acessibilidade para a população brasileira. Stephen Stefani defendeu a busca por alternativas viáveis, como produção local ou importação de equivalentes de qualidade.

Apesar da eficácia, o custo elevado ainda representa um desafio significativo para o orçamento das empresas de saúde suplementar. Os especialistas avaliam que o impacto econômico positivo e a redução de internações só serão percebidos plenamente a longo prazo.

Perguntas Frequentes

O que são os medicamentos baseados em GLP-1?

São fármacos modernos utilizados principalmente no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mostrando grande eficácia clínica.

Por que as cirurgias bariátricas caíram no Brasil?

A popularização dos tratamentos clínicos com GLP-1 reduziu a procura por cirurgias, registrando queda de 39,6% na Amil entre 2024 e 2026.

Qual é o principal desafio econômico para as operadoras de saúde?

O alto custo dos medicamentos, a falta de adesão correta dos pacientes e a rotatividade dos planos de saúde empresariais.