Pesquisa publicada na Scientific Reports desvenda mecanismo biológico da doença em recém-nascidos

Uma pesquisa realizada no Brasil e publicada na revista Scientific Reports revelou novos detalhes sobre o agravamento rápido e o risco fatal em recém-nascidos que apresentam hérnia diafragmática congênita. O estudo acende um alerta importante sobre os tratamentos aplicados atualmente nas unidades de terapia intensiva neonatais em todo o país.

O trabalho foi conduzido por especialistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, a FMRP-USP, com financiamento da FAPESP. Os cientistas investigaram os fatores biológicos que provocam o fim da fase conhecida como lua de mel, período inicial de estabilidade que antecede a piora clínica do bebê.

A investigação traz novos subsídios para entender a patologia da hérnia diafragmática congênita e o papel da hipertensão pulmonar, conforme informação divulgada por Medicina SA.

O que é a hérnia diafragmática congênita

Considerada uma condição incomum, a hérnia diafragmática congênita ocorre quando o diafragma não se forma completamente durante a gestação. Esse músculo separa o peito da barriga e, com a abertura, órgãos do abdome como o estômago e o fígado deslocam-se para o tórax.

O deslocamento dos órgãos comprime os pulmões e impede o desenvolvimento normal dos tecidos respiratórios. Os bebês nascem com dificuldades para respirar, baixos níveis de oxigênio no sangue e pressão arterial elevada nos pulmões, exigindo cuidados intensivos imediatos na UTI neonatal.

O papel dos capilares não funcionais

Os pesquisadores descobriram que nos pulmões comprimidos desses recém-nascidos ocorre uma forte proliferação de capilares não funcionais. São pequenos vasos sanguíneos que não participam diretamente da troca de oxigênio com o organismo.

O estudo aponta que a pressão alta nos pulmões atua como um escudo temporário para evitar que o sangue inunde e sobrecarregue essa rede vascular. Com isso, o uso inadequado de medicamentos vasodilatadores pode anular esse mecanismo de proteção e causar congestão pulmonar fatal.

Tratamentos e diagnósticos no Brasil

O diagnóstico da malformação é feito ainda no pré-natal por meio de exames de ultrassonografia. Em alguns casos, médicos utilizam a técnica FETO, que consiste na oclusão traqueal com balão para estimular o crescimento dos pulmões durante a gravidez.

Após o nascimento, as crianças podem necessitar de ventilação mecânica ou da oxigenação por membrana extracropórea, conhecida como ECMO. No entanto, essa tecnologia ainda é pouco realizada no Brasil devido ao alto custo operacional do equipamento nas redes de saúde.

Perguntas Frequentes

O que causa a hérnia diafragmática congênita em recém-nascidos?

A condição ocorre quando o diafragma não se forma completamente no embrião, permitindo que órgãos abdominais subam para o tórax e comprimam os pulmões. As causas exatas dessa má-formação ainda são desconhecidas pela medicina.

O que significa a fase de lua de mel no bebê com HDC?

É uma breve fase de estabilidade clínica inicial após o nascimento, que infelizmente costuma ser seguida por uma piora rápida e grave na respiração e na circulação sanguínea da criança.

Por que a hipertensão pulmonar pode ser um mecanismo protetor?

Segundo pesquisadores da USP, a pressão alta nos pulmões evita que o sangue inunde e sobrecarregue a rede de capilares não funcionais, reduzindo o risco de congestão pulmonar fatal caso o vaso dilate muito cedo.

Como é feito o tratamento da hérnia diafragmática congênita?

O tratamento pode envolver cirurgia fetal com balão na traqueia durante a gestação, além de suporte intensivo pós-natal com ventilação mecânica e cirurgia corretiva para reposicionar os órgãos abdominais.