Longevidade da população neurodivergente exige novos protocolos assistenciais no país
Líderes e gestores da saúde enfrentam um desafio urgente relacionado ao atendimento humanizado e sustentável para uma parcela crescente da sociedade que está envelhecendo sem o devido suporte clínico.
A consultoria Caminho Atípico aponta que um em cada cinco brasileiros é neurodivergente, o que representa uma estimativa de 32 a 43 milhões de pessoas com condições como autismo, TDAH e dislexia no território nacional.
O impacto do envelhecimento e da longevidade dessa população foi o tema central do painel realizado no HIS 2026, conforme informação divulgada por Saude Business.
Modelos assistenciais para idosos neurodivergentes
Karyny Nascimento Ferro, psicóloga do Serviço de Longevidade do Instituto Jô Clemente, alertou sobre a urgência de repensar o modelo assistencial voltado para pessoas neurodivergentes na maturidade.
O sistema atual ainda não está preparado para lidar com as demandas específicas, comprometendo a qualidade do atendimento e a sustentabilidade dos serviços públicos e privados.
A especialista destaca a necessidade de iniciar o cuidado preventivo desde os 40 ou 50 anos, garantindo protocolos claros e planejamento a longo prazo antes dos sinais de envelhecimento.
Tecnologia e registros unificados na saúde
Fabio Serpa, especialista em tecnologia e saúde e fundador da Vivantt, ressaltou o papel essencial de ferramentas tecnológicas na construção de um sistema mais eficiente e inclusivo.
Sem dados integrados e um histórico completo, o sistema corre o risco de confundir características do espectro autista com comorbidades da idade, elevando os custos operacionais.
A inteligência artificial e a análise preditiva podem atuar como aliadas na redução de despesas, visto que idosos neurodivergentes possuem até quatro vezes mais chances de desenvolver comorbidades.
Capacitação profissional e atendimento multidisciplinar
A transformação do cuidado exige a implementação de diretrizes claras e investimento na capacitação de todos os profissionais de saúde, desde a recepção até os especialistas clínicos.
O debate evidenciou a importância de uma rede articulada que envolva médicos, psicólogos e terapeutas, considerando sempre o contexto familiar e social do paciente.
A falta de integração entre os níveis de atenção representa um obstáculo significativo para garantir a integralidade no atendimento em todas as fases da vida.
Perguntas Frequentes
O que é a população neurodivergente?
São pessoas com condições como TDAH, autismo, dislexia e transtornos sensoriais, totalizando entre 32 e 43 milhões de brasileiros segundo a consultoria Caminho Atípico.
Quais os desafios do envelhecimento neurodivergente na saúde?
O sistema atual carece de protocolos específicos, aumentando o risco de diagnósticos errados ao confundir traços da neurodivergência com comorbidades comuns da idade avançada.
Como a tecnologia pode ajudar idosos neurodivergentes?
O uso de inteligência artificial, registros unificados e análise preditiva melhora a eficiência do atendimento e reduz custos operacionais na saúde pública e suplementar.

