Incidência da doença de Crohn e retocolite ulcerativa dispara no país, conforme alerta estudo apresentado em SC.
O número de pessoas diagnosticadas com doenças inflamatórias intestinais teve um salto expressivo no país entre os anos de 2012 e 2025. A incidência dessas condições crônicas passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no território nacional.
O levantamento detalhado foi apresentado durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado na cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, reunindo especialistas renomados da área médica e pesquisadores internacionais.
A expansão acelerada dessas enfermidades autoimunes acende um alerta para a saúde pública brasileira, conforme informação divulgada por Agencia Br Saude.
Causas multifatoriais e impacto da dieta
Segundo os pesquisadores Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, as enfermidades são multifatoriais, envolvendo genética, poluição e hábitos alimentares modernos.
O consumo crescente de alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, corantes e espessantes, é apontado como um fator determinante para o desencadeamento e a piora dos quadros inflamatórios crônicos ao longo dos anos.
Projeção de novos casos até 2035
Dados do Sistema Único de Saúde apontam que a taxa de novos diagnósticos anuais aumentou consideravelmente, com expectativa de atingir 22,7 novos casos por 100 mil habitantes no horizonte do ano de 2035.
Os especialistas estimam que o total de pessoas afetadas poderá chegar a 264 por 100 mil habitantes em 2035, representando um crescimento de 67 por cento em comparação com o patamar registrado em 2025.
Tratamento de alto custo e saúde pública
Consideradas enfermidades raras até 2015, essas condições médicas estão se tornando um desafio global e devem virar um grande problema de saúde pública no Brasil a partir de 2040, equiparando-se a patologias como hipertensão e diabetes.
Como não possuem cura, o tratamento exige controle contínuo dos sintomas e o uso de medicamentos especializados, cujos custos anuais podem alcançar a marca de quinhentos mil reais por paciente diagnosticado ainda jovem.
Perguntas Frequentes
O que são doenças inflamatórias intestinais?
São enfermidades autoimunes crônicas, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, onde o sistema imunológico ataca as células do próprio organismo, gerando inflamação persistente no trato digestivo.
Quais foram os principais fatores apontados pelos pesquisadores?
O estudo destaca que a etiologia é multifatorial, combinando predisposição genética, poluição ambiental e mudanças drásticas na dieta, com forte influência do consumo de alimentos ultraprocessados.
Qual é a projeção para o futuro dessas enfermidades no Brasil?
Pesquisadores estimam que, até 2035, a prevalência possa chegar a 264 casos por 100 mil habitantes, transformando a condição em um grave problema de saúde pública no país.

