Relatório inédito revela que desinformação médica explora medo, falsas curas e autoridade científica

Uma pesquisa recente revelou que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados nos últimos anos eram falsos. O levantamento examinou centenas de publicações disseminadas rapidamente na internet brasileira.

A investigação foi conduzida pela Agência Lupa em parceria com a Afya, mapeando estratégias usadas para espalhar mentiras que alcançam milhares de pessoas nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

O volume de boatos aumentou drasticamente durante a pandemia, impulsionando falsidades sobre tratamentos e vacinas, conforme informação divulgada por Agencia Br Saude.

Estratégias da desinformação em saúde

A fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, destaca que um dos maiores desafios é a apropriação da linguagem médica para parecer legítima. A falsa autoridade científica representou 21,6% dos casos analisados pela entidade.

O medo e a linguagem alarmista apareceram em 17% das publicações falsas. A distorção de estudos respondeu por 15,7%, enquanto soluções simples para problemas complexos somaram 12,6% dos registros mapeados.

Impacto da pandemia na checagem de boatos

O volume de conteúdos falsos explodiu nos anos de 2020 e 2021, quando a Lupa checar cerca de dez vezes mais materiais sobre saúde do que nos três anos anteriores, totalizando 452 publicações virais.

O vice-presidente da Afya, Gustavo Meirelles, afirma que o profissional de saúde precisa ajudar o paciente a navegar em meio ao excesso de informações sem respaldo científico encontradas na rede.

Canais de circulação de fake news médicas

O WhatsApp foi associado a mais de 70% das checagens realizadas entre março de 2017 e junho de 2026. O aplicativo de mensagens concentra grande parte dos pedidos de verificação recebidos pela agência.

O Facebook apareceu em segundo lugar com 25,3% dos registros, seguido pelo Instagram com 7%. Figuras públicas como Jair Bolsonaro, Bill Gates e Drauzio Varella foram mencionadas em conteúdos checados.

Perguntas Frequentes

Qual a porcentagem de conteúdos virais falsos sobre saúde?

Segundo o relatório da Agência Lupa, 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados entre 2017 e 2024 eram falsos.

Quais são as principais estratégias usadas para espalhar fake news de saúde?

As estratégias mais comuns incluem o uso de falsas autoridades médicas, linguagem alarmista, distorção de estudos científicos e promessas de curas simples.

Qual plataforma mais circula desinformação em saúde?

O WhatsApp foi a plataforma mais associada à circulação de desinformação em saúde nas verificações analisadas, aparecendo em mais de 70% dos casos.