Estudo aponta que acesso limitado a exames moleculares prejudica o tratamento personalizado da doença na América Latina.
Apenas um em cada cinco pacientes com câncer de pulmão avançado realizou o sequenciamento genômico antes de iniciar o tratamento médico, segundo um estudo apresentado no Congresso Europeu de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha, conforme informação divulgada por Medicina SA.
A pesquisa internacional ReaLuNGS avaliou 1.125 pacientes em sete países latino-americanos, incluindo o Brasil, para entender como os testes moleculares ajudam a direcionar terapias mais precisas e adequadas para cada caso clínico.
O levantamento revelou que a medicina de precisão ainda enfrenta barreiras importantes na região, desde a coleta correta do material biológico até a liberação rápida dos resultados laboratoriais para a equipe médica responsável.
Sequenciamento de nova geração no câncer
O sequenciamento de nova geração, conhecido como NGS, é uma tecnologia avançada que permite investigar dezenas ou centenas de genes relacionados ao tumor de forma simultânea e abrangente.
Diferente dos testes convencionais que focam em alterações específicas, o NGS oferece uma visão molecular ampla, ajudando a identificar mutações acionáveis para as quais já existem medicamentos direcionados disponíveis.
No estudo ReaLuNGS, 85,3% dos pacientes submetidos ao NGS tiveram uma avaliação considerada suficiente, enquanto entre os testados por métodos tradicionais esse índice foi de apenas 38,4%.
Importância do perfil genômico tumoral
O câncer de pulmão não é uma doença única, pois mesmo tumores na mesma região podem apresentar alterações genômicas distintas que influenciam diretamente a resposta aos medicamentos convencionais.
Identificar essas alterações antes do início da terapia permite o uso de terapias-alvo, oferecendo alternativas eficazes à quimioterapia tradicional e ampliando as chances de um tratamento bem-sucedido.
Segundo o oncologista clínico Breno Jeha Araújo, da OC Medicina de Precisão da Oncoclínicas, conhecer as características moleculares do tumor é fundamental para ampliar as possibilidades terapêuticas desde o início.
Desafios do acesso a exames moleculares
A ampliação do acesso ao sequenciamento genômico na América Latina envolve barreiras estruturais, como a qualidade da biópsia, a infraestrutura laboratorial e a cobertura pelos sistemas de saúde locais.
Para Rodrigo Dienstmann, diretor médico da OC Medicina de Precisão da Oncoclínicas, a inovação tecnológica precisa estar integrada à jornada diária de atendimento para transformar o conhecimento molecular em benefício clínico real.
Superar esses obstáculos é o principal desafio para garantir que mais pacientes tenham diagnósticos precisos e decisões terapêuticas embasadas logo nas primeiras etapas do cuidado médico.
Perguntas Frequentes
O que é o teste genômico para câncer de pulmão?
É um exame laboratorial que mapeia alterações genéticas no tumor, permitindo identificar mutações que respondem melhor a terapias-alvo específicas.
O que significa NGS no diagnóstico oncológico?
NGS é a sigla em inglês para sequenciamento de nova geração, uma tecnologia que investiga dezenas ou centenas de genes simultaneamente para uma visão molecular ampla.
Por que fazer o teste genômico antes do tratamento?
Porque o resultado precisa estar disponível a tempo de influenciar a escolha inicial da equipe médica, orientando o uso de medicamentos direcionados mais eficazes.
Quais países participaram do estudo ReaLuNGS?
A pesquisa analisou dados de 1.125 pacientes em sete países da América Latina, incluindo o Brasil, conforme dados apresentados no congresso da ESMO 2026.

