Levantamento mostra que tipo hemorrágico exige mais recursos hospitalares e atinge pacientes de 14 a 50 anos

O AVC hemorrágico apresenta uma taxa de mortalidade quase três vezes maior em comparação ao tipo isquêmico, conforme revelam dados de um recente levantamento hospitalar brasileiro divulgado neste mês de conscientização.

A pesquisa foi conduzida pela Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, e analisou dezenas de milhares de internações registradas em unidades de saúde de todo o país entre janeiro de 2020 e junho de 2026, mapeando os impactos da condição na rede assistencial, conforme informação divulgada por Medicina SA.

O estudo destaca que, embora o AVC isquêmico seja o mais frequente, a versão hemorrágica consome mais recursos de terapia intensiva, resulta em estadias prolongadas e eleva significativamente os custos previstos para o sistema de saúde.

Diferenças entre AVC isquêmico e hemorrágico nos hospitais

O AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria cerebral por placa de gordura ou coágulo, representando cerca de 85% dos casos, enquanto o AVC hemorrágico acontece pelo rompimento de um vaso, correspondendo a 15% das ocorrências.

A mortalidade hospitalar nas internações por derrame cerebral hemorrágico atingiu 30,8%, contra 11,8% no tipo isquêmico, exigindo cuidados intensivos em 67,6% dos casos e ventilação mecânica em 39,1% dos pacientes analisados pela pesquisa.

Impacto do AVC hemorrágico em pacientes mais jovens

O levantamento apontou que pessoas entre 14 e 50 anos representaram 24,2% das internações por AVC hemorrágico, uma proporção aproximadamente duas vezes maior do que a observada no tipo isquêmico na mesma faixa etária.

A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, reforça que a complexidade assistencial nesses jovens é expressiva, exigindo atenção médica imediata e controle rigoroso dos fatores de risco para evitar sequelas graves ou óbitos.

Como identificar os sintomas do AVC rapidamente

A especialista lembra que a identificação precoce dos sinais é vital, pois a cada minuto sem atendimento no AVC isquêmico há perda de milhões de neurônios, tornando essencial o reconhecimento rápido de alterações neurológicas.

Para facilitar o diagnóstico rápido pela população, a campanha utiliza a sigla VÁ De SAMU, que orienta a observar visão alterada, desequilíbrio, boca torta ao sorrir, fraqueza nos braços, alteração na fala e a necessidade de ligar imediatamente para o serviço de urgência.

Prevenção e controle dos fatores de risco

Entre 80% e 90% dos casos de acidente vascular cerebral estão associados a fatores modificáveis, reforçando que a adoção de hábitos saudáveis pode evitar grande parte das ocorrências graves mapeadas pelos especialistas.

A recomendação médica inclui monitorar a pressão arterial, controlar o diabetes e o colesterol, tratar arritmias cardíacas como a fibrilação atrial, abandonar o tabagismo, praticar atividades físicas regulares e manter acompanhamento médico preventivo.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?

O AVC isquêmico ocorre pela obstrução de uma artéria que impede a passagem de sangue, enquanto o AVC hemorrágico acontece devido ao rompimento de um vaso cerebral, provocando sangramento e maior risco de morte.

Por que o AVC hemorrágico é mais grave?

O AVC hemorrágico apresenta mortalidade hospitalar três vezes maior, maior tempo de internação, maior necessidade de cuidados intensivos e uso frequente de ventilação mecânica em comparação ao tipo isquêmico.

Como funciona a regra VÁ De SAMU para identificar o AVC?

A sigla orienta a verificar visão alterada, desequilíbrio, se o sorriso está torto, fraqueza nos braços e alteração na fala, indicando a urgência de ligar para o SAMU ao notar qualquer um desses sinais.