Nova ferramenta desenvolvida pelo InCor e USP analisa eletrocardiogramas para identificar oclusão coronariana aguda com alta assertividade.
Uma nova ferramenta de inteligência artificial foi desenvolvida para ajudar médicos e socorristas a identificar o tipo mais letal de infarto, caracterizado pelo bloqueio total das artérias do coração, agilizando o diagnóstico em emergências médicas.
O sistema inovador é fruto de uma colaboração internacional entre pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de São Paulo, tendo sua validação divulgada recentemente em estudos científicos de grande relevância.
A tecnologia analisa rapidamente os dados de exames de eletrocardiograma para apontar o local exato da oclusão, conforme informação divulgada por Medicina SA.
Como a inteligência artificial detecta o infarto grave
Nos casos de infarto agudo do miocárdio, as decisões precisam ser tomadas com extrema rapidez para evitar a morte irreversível do tecido cardíaco, tornando o fator tempo crucial para o prognóstico do paciente.
Coordenado por pesquisadores como José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor, o modelo foi treinado com centenas de milhares de exames para reconhecer padrões sutis que muitas vezes passam despercebidos na análise visual humana.
A tecnologia atua como um classificador de alta precisão, oferecendo mais segurança para que os profissionais de saúde adotem condutas rápidas em situações críticas nas unidades de emergência.
Validação em populações do Brasil e da Suécia
O modelo de inteligência artificial foi treinado a partir de mais de 500 mil exames de eletrocardiograma obtidos em serviços de emergência na Suécia, abrangendo pacientes atendidos ao longo de mais de uma década.
Posteriormente, os dados foram validados em uma coorte independente com centenas de pacientes atendidos no InCor em São Paulo, além de contarem com bases de dados da Universidade Federal de Minas Gerais.
Essa validação internacional confirmou que o sistema funciona com eficácia em populações geneticamente distintas, como a brasileira e a sueca, aumentando expressivamente a confiabilidade da ferramenta experimental.
Desafios no diagnóstico e assertividade do sistema
Identificar um infarto e determinar a artéria obstruída é um desafio complexo, especialmente porque muitos casos graves não apresentam o marcador clássico conhecido como supradesnivelamento do segmento ST nos exames tradicionais.
Segundo Marco Antonio Gutierrez, coautor do trabalho, o sistema atinge uma assertividade de 96% em casos com alterações evidentes, mantendo um alto desempenho de 82% mesmo em cenários desfavoráveis onde as alterações não estão claras.
Os especialistas ressaltam que a tecnologia não substitui o julgamento médico, servindo exclusivamente como um suporte avançado para reduzir erros e otimizar o atendimento em massa.
Perguntas Frequentes
Como a inteligência artificial ajuda a identificar o infarto?
A inteligência artificial analisa rapidamente os dados digitais de eletrocardiogramas de 12 derivações para detectar sinais sutis de oclusão coronariana aguda e apontar o local exato da artéria bloqueada.
Quais instituições participaram do desenvolvimento da tecnologia?
O sistema foi desenvolvido em uma colaboração internacional entre pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de São Paulo, através do InCor.
A inteligência artificial substitui o diagnóstico médico?
Não, a ferramenta foi desenvolvida estritamente para apoiar a tomada de decisão médica, auxiliando equipes de emergência a reconhecer rapidamente padrões de risco sem substituir a avaliação clínica.
Qual é o nível de precisão da ferramenta de IA?
O sistema atinge uma assertividade de 96% em infartos com alterações clássicas no eletrocardiograma e de 82% em casos mais sutis onde o diagnóstico tradicional é desafiador.

